BRASIL
Golpes de
Estado
Tentativas
de Golpe de Estado
"Traidor da Constituição é
Traidor da Pátria"
- Conceitua-se como um Golpe de Estado quando há subversão da Ordem
Institucional.
O Brasil não conhece o Brasil!
Dos Liberais na Economia e Teocratas Escravagistas
nos Costumes
"O
Brasil só se tornou uma nação soberana, de fato, com a Independência, declarada
em 07 de setembro de 1822 pelo então príncipe regente Pedro
de Alcântara, que se tornou nosso primeiro
chefe de Estado sob o título de D. Pedro I. A partir de então, não faltaram ao nosso cenário político
episódios de intensa turbulência. Desde a Independência, tivemos vários tipos
de revoltas, tentativas de golpe de Estado e golpes efetivamente aplicados."
Dom Pedro I
Tornou o Brasil independente, foi também o
primeiro governante a dar um golpe de Estado.
Golpe
de Estado, o que é?
___Quando se fala em
golpe de Estado no Brasil, muitas vezes pode vir à mente o mais recente, como o
golpe civil-militar de 1964, em que foi deposto o presidente
eleito João Goulart e, em seu lugar,
militares tomaram o poder, ficando no comando da nação até 1985,
período conhecido como ditadura militar. O golpe militar, porém, não foi o
único golpe de Estado que o Brasil sofreu.
Mas o que é um golpe de Estado? - Ele pode ser definido de maneira
objetiva como a tomada do poder por um grupo ou indivíduo de forma ilegal, isto
é, à margem da lei, sem seguir o que está previsto na Constituição. Esse
processo geralmente é feito em segredo e com muito planejamento. Para entender um
golpe de Estado, não basta olhar para o momento em que o poder é tomado, é
importante analisar toda a conjuntura, também como ele foi planejado. ___Muitas
vezes, antes mesmo de tomar o poder, os responsáveis pelo golpe de Estado já
começam a tentar fazer um governo parecer ruim, usando a política e as mídias
para convencerem massivamente as pessoas disso.
Contextos Políticos
Moldaram o Brasil
___Desde o Primeiro Reinado (1823) até a República (1889), o Brasil passou por
diversos momentos em que mudanças profundas na estrutura política ocorreram por
meio de golpes de Estado. Esses eventos, em sua maioria, aconteceram em
períodos de instabilidade, com conflitos entre grupos que buscavam consolidar
sua influência. Assim como em outras nações, os processos de golpe de Estado no
Brasil ocorreram em contextos de descontentamento e disputas pelo poder,
refletindo um padrão observado em transições políticas globais.
___Na América Latina, por
exemplo, golpes militares e mudanças abruptas de regime se tornaram comuns ao
longo do século XX, impulsionados tanto por crises econômicas quanto
por influências ideológicas internacionais.
___Na Europa, algumas
transições também ocorreram com intervenções militares ou civis que alteraram
as estruturas políticas sem o respaldo da lei, como na Revolução dos Cravos em Portugal, que, embora não tenha seguido
todos os moldes de um golpe, representa uma quebra abrupta de um regime autoritário.
Essas comparações ajudam a entender como a tomada de poder, por vias legais ou
ilegais, não é apenas um fenômeno brasileiro, mas sim uma resposta encontrada
em diferentes partes do mundo para lidar com períodos de instabilidade e
insatisfação popular. Segundo a historiadora e acadêmica Lilia Schwarcz, “a história costuma
ser definida como uma disciplina com grande capacidade de ‘lembrar’. Poucos se
‘lembram’, porém, do quanto ela é capaz de ‘esquecer’.” Desta forma, precisamos relembrar os
golpes que já tivemos na nação.
Militares
___A história do Brasil republicano é marcada pela recorrente
participação dos militares na política. Inicia-se com um golpe, em 1889, protagonizado pelo exército, e os dois primeiros
chefes de estado do período foram marechais, Deodoro da Fonseca e Floriano
Peixoto. ___Quatro décadas depois, a Revolução
de 1930 levou Getúlio Vargas ao
poder. A proximidade do líder gaúcho com os fardados permitiu o golpe de 1938, origem o Estado
Novo, um regime autoritário que perdurou até 1945.
Mesmo após o fim da Segunda Guerra
Mundial, a influência militar permaneceu latente, atravessando momentos de
crise, como o suicídio de Vargas em 1954. Já em 1964, um
golpe de Estado liderado pelas Forças
Armadas instaurou uma ditadura que duraria 21 anos — com desdobramentos que perduram até hoje, como o não
julgamento da maioria dos civis e militares envolvidos nos crimes cometidos
durante o regime. Com o retorno à democracia e o início da Nova República, em 1985,
estabeleceram-se garantias constitucionais que buscavam restringir a atuação
política dos militares. No entanto, sua influência na vida pública segue sendo
motivo de debate, com discussões sobre seu papel na sociedade e na gestão do
país.
___Paulo Ribeiro da Cunha,
doutor em ciências sociais e docente da Faculdade de Filosofia e Ciências da
Unesp, Campus de Marília, e pesquisador da história do das forças armadas, diz
que a história mundial é marcada pela presença do Exército na política sem que, necessariamente, isso represente um
tensionamento para regimes democráticos.
“Na Grécia antiga, os cidadãos e os guerreiros
estavam incluídos nessa cidadania, eram reconhecidos como iguais e com direito
de falar e decidir. Então, não é nada novo. Nós criamos um paradigma de que a
participação política dos militares é algo danoso para democracia. Mas, não é
necessariamente assim. Basta lembrar que a República adveio de um golpe
militar, e foi algo positivo. E, um ano antes, a participação política dos
militares auxiliou na abolição da escravatura”, diz o docente.
___Cunha aborda também as
anistias ao longo da trajetória do Brasil. De todas as 80 leis de anistia aprovadas no país, a mais conhecida e
controversa é a que foi promulgada em 1979, e
que se mostrou um componente crucial do projeto de abertura política para pôr fim
à ditadura militar. “A anistia de 1979 foi totalmente
excludente. Por exemplo, não contemplava, em um primeiro momento, os
marinheiros e praças. Além disso, a lei foi interpretada de forma juridicamente
absurda, o que abriu margem para também perdoar os chamados “crimes conexos” — ou
seja, os crimes cometidos pelos próprios agentes da repressão, como tortura e
assassinato. Aos poucos, nós temos visto a superação disso pelo entendimento e
evolução do Direito, e passamos a compreender que os atos desses torturadores
são crimes contra a humanidade. Então não são prescritíveis”, explica o
professor.
___O docente faz um paralelo com os dias de hoje ao analisar os atos
antidemocráticos ocorridos em 08 de janeiro de 2023,
em Brasília (DF), quando manifestantes invadiram e depredaram prédios públicos
em protesto contra o resultado das eleições presidenciais de 2022.
“Avalio que a perda de controle da multidão foi
o que abortou a possibilidade do golpe ou, ao menos, de um fato político que
pudesse conduzir à destituição de um governo democrático. E está havendo um
movimento de tentar uma anistia, o que é um absurdo. Nesse cenário, percebo
que, sem dúvida nenhuma, o Judiciário tem atuado com muita efetividade, o que é
muito positivo para a democracia”, diz o professor.
___Em 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) tornou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete
acusados réus por tentativa de golpe de Estado durante as eleições de 2022, após denúncia realizada pela Procuradoria Geral da República. Cinco
dos réus são ligados às Forças Armadas.
Paulo Cunha defende que a punição
aos envolvidos deve ser exemplar, pois, ao longo da história brasileira,
militares anistiados foram reintegrados aos seus cargos sem sofrer consequências
significativas, o que permitiu a manutenção de vieses golpistas que persistem
até hoje.
Que tipo de Forças Armadas
queremos para o Brasil? - Para o professor, uma coexistência pacífica entre
os poderes civil e militar é possível. “Eu acho que implica,
sem dúvida nenhuma, uma visão nova das Forças Armadas. Desde que a classe
política também reveja as suas posições e entenda os militares como um
componente da cidadania do Estado Democrático de Direito, submetidos ao poder
civil”, diz.
___Os Militares forjados na ideia de “tutela” e
na visão de si mesmos como “poder moderador”,
militares brasileiros participaram de movimentos de ruptura desde a Proclamação da República, explicam
historiadores, mas nunca foram responsabilizados por isso. A concessão de
anistias a integrantes da caserna é recorrente nos mais de 100 anos de período republicano.
___Em 2025, a condenação de militares
pelo STF (Supremo Tribunal Federal)
quebra longo histórico de tentativas de golpes sem punição, para historiadores,
condenação serve de alerta para a caserna.
Tentativas
de Golpes de Estado
Período Imperial – Principais
G
Golpe
da Maioridade (1840)
Golpe
da Proclamação da República (1889)
N
Noite
da Agonia (1823)
R
Revolução
dos Três Padres
Período Republicano – Principais
B
Batalha do Túnel da Mantiqueira
C
Campanha da Legalidade
Crise Militar no Brasil (1977)
G
Governo Popular Revolucionário do Rio Grande do Norte
I
Intentona Comunista
L
Levante Integralista
M
Manifestações Golpistas no Brasil após as eleições (2022)
O
Operação Contragolpe
Operação Tempus Veritatis
R
Revolta dos 18 do Forte de Copacabana
Revolta da Escola Militar da Praia Vermelha
Revolta de Aragarças
Revolta dos Sargentos (1915)
Revolta de Jacareacanga
Revolta Paulista (1924)
Cronologia
BRASIL
Golpes de Estado e suas Tentativas
Em variados formatos:
Século XIX
Década de 20
1823
NOITE DA AGONIA – Concretizado
AUTOGOLPE MILITAR
___D. Pedro I assistia, das janelas do Paço Imperial no Rio de Janeiro, às movimentações da Assembleia Constituinte. Pouco mais de
um ano após a Independência, o Brasil viveu o primeiro golpe, dado pelo próprio
imperador D. Pedro I contra a
primeira Assembleia Geral Constituinte
Brasileira. Essa assembleia foi eleita e instalada em 03 de maio de 1823 com o objetivo de confeccionar o primeiro texto
constitucional para o Brasil.
___O principal motivo da
dissolução dizia respeito às disputas políticas internas dos constituintes, que
se dividiam entre Liberais (moderados
e radicais) e Conservadores. Um dos
membros da Constituinte, José Bonifácio
de Andrade e Silva, era ministro de D.
Pedro I e passou a dificultar o acesso direto entre os conservadores e a
própria pessoa do imperador; D. Pedro I,
então, afastou Bonifácio do cargo.
Este, por sua vez, reagiu violentamente contra o governo por meio de artigos de
jornais. Pressionado, o imperador optou pela dissolução da assembleia.
Em 12 de novembro de 1823, ocorreu na madrugada o que ficou
conhecida como a Noite da Agonia. D. Pedro I, com ajuda militar, ordenou
que se fizesse um cerco ao prédio onde os deputados constituintes estavam
reunidos. Muitos dos presentes resistiram à investida do imperador e acabaram
presos e, depois, exilados.
___Para completar o
trabalho de preparo do texto constitucional, D. Pedro I organizou um conselho de Estado, composto por homens de
sua inteira confiança. Esse conselho apresentou a redação final da Constituição
em 11 de dezembro de 1823. Em 25 de março de 1824, o imperador aprovou a Constituição Imperial, sem que ela fosse
apreciada por uma assembleia.
___A primeira parte do
livro, com cinco capítulos, descreve a sequência de fatos que culminou com a
dissolução violenta da Constituinte de
1823 por D. Pedro I. O texto
aborda a posição dos constituintes, a cultura e ideias políticas à época e a
atividade legislativa para a elaboração da Constituição. Também relata os
intensos debates, as queixas vindas dos cidadãos com a esperança de serem
contemplados no texto constitucional e a discussão sobre a criação de
universidades. E, por fim, narra a postura de D. Pedro I durante todo o processo e a interrupção da “grande tarefa”, com a extinção da constituinte – o Golpe da Dissolução.
Década de 30
1832
REVOLUÇÃO DOS TRÊS PADRES – Frustrado
TENTATIVA DE GOLPE CIVIL
Em 30 de julho de 1832, a tentativa de golpe que ficou
conhecida na história como a Revolução
dos Três Padres. A atuação das correntes políticas entre 1831 e 1832,
período conturbado após a abdicação de D.
Pedro I ao trono brasileiro em favor de seu filho Pedro, que tinha apenas cinco anos. O papel de José Bonifácio diante da instabilidade política e social, com
revoluções e revoltas em todo o país, a atuação de Diogo Feijó e do padre José
Bento que expõe as causas do fracasso do golpe.
Década de 40
1840
GOLPE DA MAIORIDADE – Concretizado
AUTOGOLPE
23 de julho de 1840, tivemos foi o Golpe da Maioridade, esse golpe aconteceu no Período Regencial e foi o modo de governo formado após a abdicação
de D. Pedro I, em 1831. O
herdeiro do trono, o futuro D. Pedro II,
era apenas uma criança de seis anos de idade e, portanto, tinha de atingir a maioridade
para poder governar. Assim como hoje, a maioridade naquela época era atingida
aos 18 anos. Enquanto o imperador não
tivesse essa idade, a chefia do país era confiada a regentes, que tinham o
respaldo legal da Constituição Imperial
de 1824 para exercer sua função. Essa mesma Constituição Imperial também determinava, em seu Artigo 121, que o imperador só poderia
assumir o poder aos 18 anos de idade.
___O adiantamento da
coroação de D. Pedro II é configurado
também como golpe de Estado. O Período
Regencial, contudo, foi marcado por intensas complicações políticas. A
disputa entre Liberais e Conservadores estava no auge.
Clube Maiorista
___Nesse clima de tensão,
um grupo de deputados e senadores, liderados por homens como José Martiniano de Alencar e Holanda Cavalcanti, organizaram o chamado Clube Maiorista, com o objetivo de adiantar a posse de Pedro II, então com 15 anos.
___Os membros desse grupo apresentaram propostas de reforma da
Constituição e outros projetos com vistas a entronizar o jovem imperador.
Entretanto, todas foram rejeitadas. Restava a eles apelar para uma articulação
com o próprio imperador, que foi persuadido por seu tutor a querer subir logo
ao trono. Com a adesão do próprio Pedro
II ao grupo maiorista, o então regente Bernardo
Pereira de Vasconcelos acabou cedendo às pressões dos maioristas, mesmo com
suas propostas sendo inconstitucionais. Dom
Pedro II passou a ser imperador em 23 de julho de
1840.
Década de 80
1889
Primeira República PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA – Concretizado
GOLPE MILITAR/CIVIL
___A chamada Proclamação da República foi um golpe
militar que depôs o imperador Dom Pedro
II, e exilou a Família Imperial.
Em 15 de novembro de 1889, o que comumente conhecemos por Proclamação da República, foi, na
verdade, um golpe militar que pôs fim no regime monárquico no Brasil. O
movimento republicano no Brasil remontava à época colonial, mas se tornou
realmente intenso na época do Segundo
Reinado. Alguns líderes destacados desse movimento estavam ligados ao
Exército Brasileiro, como era o caso do tenente-coronel Benjamin Constant. Os republicanos eram intimamente influenciados
pelo positivismo do francês August Comte,
o que implicava a ideia de um Estado forte, antimonárquico e dissociado da Igreja. Para que o golpe contra a
monarquia fosse bem-sucedido, os republicanos necessitavam do apoio da
principal autoridade militar da época: - marechal Deodoro da Fonseca. Acontece que este era monarquista e amigo
pessoal do imperador. Para convencer o marechal a proclamar a república, os
conspiradores, como Benjamin Constant,
valeram-se do argumento dos prejuízos que as decisões do então ministro de Pedro II, Visconde de Ouro Preto, acarretavam ao Exército, que se encontrava em más condições à época. Além disso,
disseram-lhe que, em lugar de Ouro Preto,
seria nomeado um antigo inimigo pessoal seu, o gaúcho Gaspar da Silveira Martins.
___Diante dessa situação,
e todas as tramas armadas pelos amotinados, Deodoro da Fonseca reuniu algumas centenas de soldados e marchou
sobre a cidade do Rio de Janeiro com o objetivo de derrubar o ministério de Ouro Preto. Esse gesto, pôs fim na
monarquia no Brasil, e formou uma ditadura militar no pais.
Estabelecimento República Excludente
___A República brasileira
nascida de um golpe de Estado, ao longo de sua trajetória foi atravessada por
diversas outras rupturas institucionais — algumas concretizadas, outras apenas
tentadas. Esses episódios revelam a instabilidade do regime republicano no
Brasil e a persistência de práticas autoritárias que dificultaram a
consolidação de uma democracia plena.
___O golpe inaugural foi
articulado por setores militares e pela elite cafeeira, muitos deles
republicanos de última hora, descontentes com a abolição da escravidão no ano
anterior. O regime nasceu de um projeto político excludente, concebido como
meio de conter os avanços democráticos conquistados pela mobilização social das
massas urbanas durante a campanha abolicionista. Nessa perspectiva, o
estabelecimento da República representou,
sobretudo, uma tentativa de restaurar uma ordem conservadora, em indenização à
Abolição. Muito interessava aos cafeicultores uma definição individualista do
pacto social, que se distanciava da ampla participação popular. Desse modo, o
liberalismo adotado no Brasil adquiriu um caráter de legitimação da
desigualdade e de consagração da “lei do mais
forte”, criando
instrumentos ideológicos e políticos para a manutenção do poder nas mãos das
elites, que estabeleceram um regime profundamente autoritário.
Nota:
- A Constituição
de 1891 escancarava a natureza excludente do regime republicano
recém-inaugurado ao restringir o direito de voto aos cidadãos brasileiros do
sexo masculino com mais de 21 anos.
A exclusão das mulheres e dos analfabetos, somada ao voto facultativo,
contribuiu para elevadas taxas de abstenção eleitoral e para a manutenção de
uma participação popular extremamente limitada.
Proclamação da República, de Benedito Calixto
(1893)
A obra retrata simbolicamente a deposição do imperador Dom Pedro II e o início do regime
republicano no Brasil. Apesar de frequentemente romantizada, a Proclamação da
República foi resultado de um golpe militar liderado por setores do Exército e
das elites insatisfeitas com a monarquia, sem participação popular direta. O
episódio marca uma ruptura institucional decisiva na história política do país.
___As revoltas da República Velha após o “Golpe de Estado da proclamação” em 15
de novembro, podem ser
divididas em movimentos urbanos, rurais e militares:
Década de 90
1891
Golpes e Tentativas de Golpe
___A própria Proclamação da República em 1889
foi um golpe militar que depôs a monarquia, sem participação popular.
- Golpe de Deodoro (1891): O primeiro presidente, Marechal Deodoro da Fonseca, tentou um autogolpe ao fechar o Congresso Nacional e decretar estado de
sítio, em flagrante violação da Constituição. A reação da Marinha (Primeira Revolta da Armada) o forçou a renunciar.
___O final da República Velha foi marcado pela Revolução de 1930, um movimento
político-militar que depôs o presidente Washington
Luís e impediu a posse do paulista Júlio
Prestes, eleito democraticamente, colocando o gaúcho Getúlio Vargas no poder, o que marcou o fim da Primeira República.
ESTADO DE SÍTIO DE 03 DE NOVEMBRO – Frustrado
TENTATIVA DE AUTOGOLPE
___Dado o golpe de 15 de novembro, Deodoro Fonseca, o “monarquista” que derrubou a Monarquia,
acabou sendo o chefe interino da república até que esta tivesse uma
Constituição. Em 14 de fevereiro de 1891, o texto constitucional republicano
foi aprovado, Deodoro da Fonseca foi
eleito indiretamente o presidente da república. Em segundo lugar, ficou outro
marechal, Floriano Peixoto, como
vice.
___Em seu primeiro ano
como presidente eleito, para resolver o problema da pressão que os
oposicionistas exerciam sobre o seu governo, o marechal dissolveu, via Decreto,
o Congresso Nacional em 03 de novembro de 1891. Em seguida, para completar o golpe, instaurou, com
outro Decreto, “Estado de Sítio” no Brasil, o que autorizou o Exército a cercar a Câmara e o Senado e a prender políticos oposicionistas.
PRIMEIRA REVOLTA DA ARMADA – Concretizado
Em 23 de novembro de 1891, vinte dias após o Golpe de 03 de Novembro, Deodoro
da Fonseca renunciou ao cargo de presidente, diante da reação da Armada (Marinha Brasileira), que
ameaçou bombardear a cidade do Rio de Janeiro caso o presidente continuasse no
cargo. Essa reação da Marinha ficou
conhecida como Primeira Revolta da
Armada.
CASO DE FLORIANO PEIXOTO – Concretizado
AUTOGOLPE ou GOLPE BRANCO
Permanência de Floriano Peixoto
- 1891; golpista: Floriano Peixoto.
Autogolpe: recusa em fazer nova eleição, conforme o Art. 42 da CF/1891.
___No lugar do
presidente, Deodoro da Fonseca,
assumiu o vice, Floriano Peixoto.
Como não havia um ano ainda de mandato presidencial, o que a Constituição
previa era a convocação de novas eleições. No entanto, o marechal Floriano não as convocou com a
justificativa de que a Constituição de
1891 tinha dispositivos que determinavam a convocação de novas eleições só
se o presidente tivesse sido eleito diretamente pelo povo, o que não ocorreu no
caso de Deodoro da Fonseca.
1892
SEGUNDA REVOLTA DA ARMADA – Frustrado
___Esse curioso impasse
constitucional manteve Floriano no
poder, e ele teve que enfrentar a Segunda
Revolta da Armada e uma série de outros levantes contra o seu governo com “mão de ferro”.
"Isso provocou uma reação por parte de
generais do Exército”,
que escreveram e assinaram um manifesto que exigia o cumprimento da
Constituição e a realização de novas eleições. Os militares que assinaram o
manifesto foram presos pelo então presidente.
Em 1892, os marinheiros desencadearam a Segunda Revolta da Armada, exigindo que Floriano Peixoto cumprisse as regras constitucionais. Dessa vez, os
revoltosos queriam lutar pelo poder e não mais apenas reagir ao autoritarismo e
descumprimento das leis por parte dos presidentes da república. Os marinheiros
atacaram Niterói, e a capital federal foi transferida do Rio de Janeiro para
Petrópolis, em 1894. Percebendo a derrota iminente, os
revoltosos fugiram da baía da Guanabara em direção ao Sul, na cidade de
Desterro, atual Florianópolis, lutar na Revolução
Federalista.
Intervenção americana na Reforma da Armada
___Os norte-americanos
participaram das duas Revoltas da Armada.
Na primeira, o embate se deu no campo diplomático ao pressionarem o marechal Deodoro da Fonseca a renunciar à
presidência da república. Já na segunda Revolta
da Armada, em 1892, os Estados Unidos agiram logo após
navios norte-americanos serem alvos dos ataques dos marinheiros revoltosos. O
governo Floriano Peixoto ganhou
apoio dos EUA para derrotar os rebeldes. Uma frota foi enviada para ajudar as
tropas governistas a derrotarem a Revolta
da Armada.
Revolta da Armada e o caso português
___Saldanha Gama era um dos líderes da Revolta da Armada e estava sendo procurado pelo governo brasileiro.
O marinheiro e outras lideranças rebeldes receberam asilo do capitão de fragata
Augusto de Castilho. O governo
brasileiro pediu ao capitão a extradição dos participantes da revolta, mas Castilho não concordou, pois eram
prisioneiros políticos e tinham direito ao asilo.
___O navio liderado por Augusto de Castilho deveria seguir para
Portugal, mas a rota foi alterada para o Sul, em direção à bacia da Prata. Os
revoltosos conseguiram fugir do navio e se integraram aos participantes da Revolução Federalista. Por causa disso,
o governo brasileiro rompeu as relações diplomáticas com os portugueses, que só
foram reatadas no governo Prudente de
Moraes.
Revolta da Armada e a Revolução Federalista
___A união dos republicanos
que culminou na queda da Monarquia e
na proclamação da república, em 15 de novembro
de 1889, foi abalada por
causa dos rumos tomados pelo novo governo. A disputa entre militares, que
exigiam mais poderes para o presidente da república consolidar o novo governo e
impedir qualquer tentativa de reação monarquista, e outros republicanos, que
defendiam maior autonomia para os estados, fez com que muitos republicanos
abandonassem o apoio aos primeiros governos.
___Enquanto alguns
rompiam de forma pacífica, outros pegaram em armas para derrubar os presidentes
autoritários. As primeiras revoltas no período republicano foram organizadas
por grupos que desejavam maior participação na política ou queriam poderes
limitados ao chefe do Executivo. A Revolta
da Armada, no Rio de Janeiro, e a Revolução
Federalista, no Sul do país, evidenciaram essa luta pelo poder republicano
e a reação contra o autoritarismo presidencial bem como a defesa por mais
autonomia aos estados federados.
Consequências da Revolta da Armada
___A Revolta da Armada representou a ruptura no movimento republicano.
Os rumos traçados pelos novos governos fizeram com que os apoiadores da
república se afastassem do poder ou se opusessem de forma radical, como foram
na Revolta da Armada e na Revolução Federalista. A vitória de Floriano Peixoto, que representava a
ala militarista e centralizadora da república, demonstrou o “poder do governo central na consolidação republicana e na
derrota dos inimigos”.
___Mesmo tendo
reabilitado o Congresso Nacional, Floriano Peixoto assumiu um perfil
ditatorial incontestável no tempo em que ficou no poder, o que torna a
discussão sobre o golpe que ele teria dado ou não bastante complexa.
Tentativas da Primeira República
“Poder Moderador”
___A fase inicial da
República brasileira foi marcada por instabilidade política e disputas de
poder. Logo em seu início, ocorreu uma tentativa de golpe protagonizada pelo
primeiro presidente, marechal Deodoro da
Fonseca, que, em novembro de 1891, ordenou o fechamento do Congresso Nacional com o objetivo de
ampliar seus poderes. O plano fracassou, e o marechal foi substituído por seu
vice, Floriano Peixoto, que, de
acordo com a recém-promulgada Constituição, deveria ter convocado novas
eleições — o que não ocorreu, gerando revoltas e sucessivas repressões.
___Após união inicial
entre civis e militares para instituir o regime republicano, esses grupos
passaram a disputar entre si a hegemonia política.
1893
Militares e Políticas
REVOLUÇÃO FEDERALISTA – Frustrado
(1893-1895): Um conflito
civil de grande escala na região Sul do Brasil, envolvendo federalistas
(Maragatos) e republicanos (Pica-paus), que contestavam o poder centralizador
do governo de Floriano Peixoto.
1896
Levante Rural
GUERRA DE CANUDOS – Frustrado
(Messianismo e Banditismo
Social)
(1896-1897): Conflito no
sertão da Bahia envolvendo a comunidade de Canudos,
liderada por Antônio Conselheiro,
que resistia à modernização republicana e às desigualdades sociais. O arraial
foi completamente destruído pelo Exército brasileiro após intensa repressão.
- Guerra do Contestado (1912-1916): Disputa por terras nas fronteiras
entre os estados de Santa Catarina e Paraná, envolvendo camponeses liderados
por figuras messiânicas, que também foram duramente reprimidos pelas forças
governamentais.
Século XX
Década de
1900
___Os primeiros anos do século XX e a Primeira Guerra Mundial estimularam
a ascensão do militarismo em diversos países, o que também se refletiu no
Brasil, alimentando o antagonismo entre militares e civis. Essa conjuntura foi
reforçada pela concepção, difundida na época, das Forças Armadas como um “poder
moderador” — uma espécie
de instância suprema de salvaguarda nacional, que deveria garantir a
continuidade e os fundamentos republicanos. Era como se a República duvidasse de sua própria capacidade de autogoverno civil,
delegando aos militares a missão de tutelar a ordem institucional.
___Nesse sentido,
militares se entendiam responsáveis por “republicanizar
a república” quando ela
se desviasse de seus princípios fundadores. Essa perspectiva foi mobilizada nas
tentativas de golpe militar contra o governo.
1904
REVOLTA DA VACINA – Frustrado
Em novembro de 1904, no Rio de Janeiro, no governo Rodrigues Alves, ocorreu a Revolta da Vacina um levante popular,
motivado pela obrigatoriedade da vacinação contra a varíola imposta pelo
governo. A população já estava insatisfeita com a “reforma urbana” do Rio de Janeiro, que demolia cortiços e desalojava os mais pobres, e a
campanha de vacinação compulsória foi vista como mais uma arbitrariedade do
Estado. A revolta envolveu confrontos entre a população, a polícia e o
exército, com destruição de prédios públicos e bondes, e durou de 10 a 16 de novembro de 1904.
Causas
Insatisfação com a Reforma Urbana: - As demolições de moradias para a
abertura de avenidas e a precariedade de outras áreas urbanas, que deslocaram a
população pobre para os morros, causaram grande descontentamento.
Campanha de Vacinação: - A vacinação obrigatória, liderada pelo sanitarista Oswaldo Cruz, foi imposta de forma
brusca e autoritária, sem a devida comunicação à população.
Medo e Desinformação: - A falta de conhecimento sobre a vacina, combinada com
boatos (como o de que a vacina causava varíola ou que agentes de saúde invadiam
as casas para ver o corpo das moças), gerou desconfiança e medo.
Agressões e Arbitrariedades: - A população já estava descontente
com a forma como os agentes de saúde e a polícia agiam, com invasões de
domicílios e uso da força para garantir o cumprimento das medidas sanitárias.
Ações da Revolta
Protestos: - A revolta começou com protestos contra a lei da vacinação, que
rapidamente se tornaram confrontos violentos.
Destruição de Patrimônio Público: - Os revoltosos destruíram bondes,
postes de iluminação e prédios públicos.
Barricadas: - As ruas do centro do Rio de Janeiro se tornaram barricadas de revolta.
Intervenção Militar: - O governo precisou usar o Exército para reprimir a revolta, e a população foi expulsa de
diversos bairros.
Consequências
Suspensão da vacinação obrigatória: - Após a violência, a lei que
tornava a vacinação obrigatória foi suspensa, e a imunização se tornou
facultativa.
Repressão: - O governo prendeu e exilou centenas de pessoas, e houve um saldo de
mortos e feridos.
Estado de Sítio: - O governo declarou “estado
de sítio” para
restabelecer a ordem pública.
Consciencialização: - Posteriormente, com a diminuição das epidemias, a
população percebeu a importância da vacina e passou a procurá-la
voluntariamente.
Estado de Sítio
___O estado de sítio, que
suspende temporariamente direitos e garantias constitucionais, foi
frequentemente utilizado como instrumento de repressão a dissidências durante a
República Velha. A Constituição de 1891
permitia sua decretação em casos de agressão estrangeira ou comoção interna.
Década de 10
1910
Levante Urbano Militar
REVOLTA DA CHIBATA – Parcialmente
Frustrado
(1910): Marinheiros da Armada (Marinha do Brasil), liderados
por João Cândido, amotinaram-se na Baía de Guanabara exigindo o fim dos
castigos físicos (chibatadas) e melhores condições de trabalho. O movimento foi
reprimido após promessas de anistia que não foram cumpridas.
1912
Levante Rural
GUERRA DO CONTESTADO – Parcialmente
Frustrado
(1912-1916): - Disputa por
terras nas fronteiras entre os estados de Santa Catarina e Paraná, envolvendo
camponeses liderados por figuras messiânicas, que também foram duramente
reprimidos pelas forças governamentais.
Século XX
Década de 20
Militares e Políticas
___O Tenentismo (década de 1920), foi uma série de revoltas e
movimentos (como a Revolta dos 18 do Forte de Copacabana em 1922 e a Revolta
Paulista de 1924) liderados por jovens oficiais de baixa patente (tenentes) do Exército, que criticavam o sistema
oligárquico e a corrupção política, exigindo reformas e o voto secreto.
1922
Governo Arthur Bernardes
Estado de Sítio – Aplicação Abusiva
___O governo de Artur Bernardes (1922-1926) foi marcado
pelo uso contínuo e prolongado do estado de sítio, que vigorou durante quase
todo o seu mandato. A medida foi justificada como necessária para conter a
instabilidade política, incluindo a Revolta
Tenentista e as oposições internas, e suspendeu direitos e garantias
fundamentais, resultando na repressão de opositores e censura da imprensa, com
prisões em massa de militares, jornalistas e políticos
Duração Prolongada: - O “estado de sítio” foi decretado logo na posse de Bernardes e prorrogado quase que
ininterruptamente durante seu governo.
Motivos Alegados: As justificativas oficiais para a manutenção do estado
de sítio eram a manutenção da ordem e a segurança pública, diante de ameaças
internas como o tenentismo e a crise do regime oligárquico.
Impacto nas Liberdades: - Durante o período, o Executivo teve poderes ampliados, o que permitiu a restrição da
liberdade de imprensa, a suspensão de direitos como o de reunião e a
possibilidade de prisões e invasões de domicílio sem julgamento prévio.
Repressão: - O estado de sítio foi utilizado como ferramenta de repressão contra
opositores políticos e a imprensa, sendo usada para perseguir adversários e
censurar notícias desfavoráveis.
REVOLTA DOS 18 DO FORTE – Frustrado
MILITAR/TENENTISTA
Em 05 de julho de 1922, ocorreu à Revolta dos 18 do Forte de Copacabana, a primeira grande
manifestação do “movimento tenentista”, ocorrida no Rio de Janeiro, capital
federal. Os militares rebeldes, insatisfeitos com as oligarquias agrárias e o
resultado da eleição presidencial que elegeu o presidente Artur Bernardes, exigiam reformas políticas e o fim da corrupção. A
revolta foi reprimida, mas inspirou outros levantes.
Causas da Revolta
- Insatisfação com a
República Oligárquica: Descontentamento com o domínio de São Paulo e Minas
Gerais na política brasileira, na chamada "República
do Café com Leite".
Críticas ao processo eleitoral: - Oposição à vitória de Artur Bernardes e à falta de democracia
no sistema de votação, o "voto de
cabresto".
Reivindicações internas das Forças Armadas: - Sentimento de que o Exército tinha um papel secundário em
relação às milícias estaduais, além de insatisfação com o soldo, carreira e
nomeação de civis para ministros da guerra.
Fatores Desencadeadores: - A prisão do Marechal Hermes da Fonseca (um dos líderes do Clube Militar) e o
fechamento do mesmo pelo governo foram o estopim imediato.
O Levante
Início: - A revolta começou no Forte de
Copacabana, no Rio de Janeiro, e foi liderada por jovens oficiais do
exército.
A marcha: - Após o bombardeio do forte pelo governo, um grupo de 18 militares e 1 civil (Otávio Correia) decidiu marchar pela Avenida Atlântica para confrontar as tropas governistas.
Resultado: - Os rebeldes foram derrotados pelas forças do governo, e apenas dois
dos 18 participantes sobreviveram:
os tenentes Siqueira Campos e Eduardo Gomes.
Consequências
Repressão: - O governo reagiu com severidade, decretando estado de sítio e
censura à imprensa.
Marco do Tenentismo: - Apesar da derrota, a revolta foi o pontapé inicial
para o movimento tenentista e inspirou outros levantes que buscavam uma
modernização do país.
Legado: - A ação dos "18 do Forte" tornou-se um símbolo de luta contra a
corrupção e o sistema oligárquico vigente.
REVOLUÇÃO DE 1924 – Frustrado
MILITAR/TENENTISTA
Em 05 de julho de 1924, iniciou o levante tenentista em São
Paulo contra o governo do presidente Arthur
Bernardes, que durou 23 dias. Os rebeldes, liderados por Isidoro Dias Lopes e os irmãos Távora, ocuparam a cidade e
tentaram depor o governo. A reação do governo federal foi violenta, com
bombardeios que causaram grande destruição e mortes, forçando os revoltosos a
fugir para o interior, onde se juntaram a outros tenentistas para formar a Coluna Prestes.
Causas e Objetivos
Tenentismo: - Movimento de jovens oficiais do exército insatisfeitos com a
República Oligárquica e a política do "café
com leite".
Insatisfação com o Governo: - Os tenentes protestavam contra a
corrupção, o autoritarismo e as fraudes eleitorais.
Rumores contra o Exército: - Cartas falsas atribuídas a Athur Bernardes, que supostamente
ofendiam os militares, intensificaram a revolta.
Objetivos dos Revoltosos: - Depor Bernardes, implantar uma república com voto secreto e eleições
limpas, realizar reformas educacionais e promover o desenvolvimento econômico.
Desenvolvimento do Conflito
Início: Em 05 de julho, unidades do Exército e da Força Pública
se rebelaram, tomaram quartéis e a região da Luz.
Bombardeios e Destruição: - O governo federal enviou tropas e
bombardeou a cidade para reprimir a revolta, causando grande destruição e
pânico. Cerca de 300 mil moradores
fugiram.
Resistência e Derrota: Apesar da resistência inicial, os revoltosos não
conseguiram tomar o Palácio do Governo
e, enfraquecidos, decidiram abandonar a capital em 28 de julho.
Fuga e União: - As tropas rebeldes fugiram para o interior de São
Paulo e se uniram às tropas rebeldes gaúchas no Paraná, formando a Coluna Prestes, que marchou pelo
Brasil.
Consequências
Mortes e Destruição: - A revolta resultou em cerca de 720 mortes e destruição de mais de 1.500 prédios na capital, mas o conflito foi ofuscado pela Revolução de 1932.
Fortalecimento do Tenentismo: Apesar da derrota, a revolta
fortaleceu o movimento tenentista, que desempenhou um papel crucial na Revolução de 1930.
“Revolução Esquecida”: - A revolução foi praticamente
esquecida, sem monumentos ou feriados que a comemorem, ao contrário de 1932.
1929
Antecedentes de 1930
___A Crise de 1929,
atingiu a economia brasileira, provocando desemprego e dificuldades
financeiras.
___O fato do Brasil ser
um país de monocultura cafeeira fez que a crise fosse profunda, pois as
exportações do produto caíram vertiginosamente. A crise econômica contribuiu
para o clima de insatisfação popular com o governo de Washington Luís.
___Igualmente, havia o
descontentamento de oficiais de baixa patente do exército, os quais desejavam
derrubar as oligarquias e instaurar uma nova ordem no Brasil.
Nota:
- Devemos lembrar que os tenentes já haviam mostrado seu
desagrado com a situação política brasileira através de episódios como a Revolta do Forte de Copacabana ou na Revolta Paulista de 1924.
___No início de 1929, Washington Luís nomeou o presidente de
São Paulo, Júlio Prestes, como seu
sucessor, por ser seu estado natal e principais oligarquias nacionais. Esta
medida foi apoiada por presidentes de 17
estados.
___A indicação de Júlio Prestes rompia com a alternância
de poderes entre Minas e São Paulo, por isso, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e
Paraíba, não deram suporte à Prestes.
Década de 30
1930
Eleições de 1930
___Estes estados se
aliaram aos políticos de oposição e criaram a Aliança Liberal. Desta maneira, os candidatos desta agrupação foram
o presidente do Rio Grande do Sul, Getúlio
Vargas e, para vice, o presidente da Paraíba, João Pessoa.
Charge mostrando Getúlio Vargas derrubando Júlio
Prestes da cadeira presidencial
___Tudo parecia indicar a
vitória de Júlio Prestes e assim
aconteceu. Nas eleições realizadas em março de
1930, Júlio Prestes foi eleito com grande
maioria de votos (1.091.709), contra 742.794 de Getúlio Vargas.
___Diante dos resultados,
a Aliança Liberal alegou fraude e rejeitou
a validade das eleições.
___Até 1930 a
política no Brasil era conduzida pelas oligarquias de Minas Gerais e São Paulo,
por meio de eleições fraudulentas e que mantinham o país sob um regime
econômico agroexportador.
___As elites paulista e
mineira alternavam a presidência da República elegendo candidatos que defendiam
seus interesses. Este sistema político ficou conhecido como "política do café com leite" ou política dos governadores.
___O modelo funcionou até
os demais estados brasileiros crescerem em importância e reivindicarem mais
espaço no cenário político brasileiro.
Assassinato de João Pessoa
Em 26 de julho de 1930, pouco tempo depois, João Pessoa, presidente da Paraíba, que
foi candidato a vice na eleição 1930, foi assassinado pelo advogado João Dantas (1888-1930) em Recife (PE).
Nota:
- Acredita-se que o crime tenha ocorrido por razões pessoais e ligadas à
política paraibana, mas a morte do candidato a vice-presidente transformou-se
numa questão nacional.
- João Dantas foi assassinado na prisão.
Em 27 de julho de 1930, a notícia da morte de João Pessoa pelos jornais chega a todo
o Brasil. A indignação toma conta do país. Mesmo sem apoio, o presidente Washington Luís não pretendia renunciar
ao poder.
Rumo ao Rio de Janeiro
Em 03 de outubro de 1930, os militares liderados por Getúlio Vargas, no Sul, e Juarez Távora (1898-1975), no Norte, convergem
para o Rio de Janeiro.
Junta Governativa
___A concreta chegada na
capital federal dos revoltosos, pelas Forças
Armadas forma-se a Junta Governativa,
por três ministros militares Tasso
Fragoso, Mena Barreto e Isaías de Noronha.
___Diante dos militares, Washington Luís declara que só sairia
do cargo preso ou morto. Imediatamente, a Junta
Governativa o prende e o leva ao Forte
Copacabana, onde permaneceria até novembro
de 1930 e dali partiria
para o exílio na Europa.
Segunda
República
REVOLUÇÃO DE 1930 – Concretizado
GOLPE CIVIL/MILITAR
Em 24 de outubro de 1930, a Revolução de 1930, que derrubou o presidente Washington Luís, foi um golpe de caráter civil-militar encabeçado
por lideranças dos estados da Paraíba, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, que,
juntas, lutaram contra o restante do país.
___O estopim para a
explosão da Revolução de 1930 foram
as eleições presidenciais daquele ano. Assim como ocorria de praxe nos anos da República Velha, o resultado das
eleições foi fraudado e o candidato da situação, Júlio Prestes, indicado e apoiado como sucessor do então presidente
Washington Luís, foi eleito o novo
presidente.
___O candidato da
oposição (chamada de Aliança Liberal), derrotado, era o gaúcho Getúlio Dorneles Vargas. Ao contrário
do que ocorria antes, a oposição não aceitou o resultado fraudulento e em um
segundo momento partiu para o enfrentamento físico. O acontecimento que causou
maior revolta e exponenciou os conflitos foi a morte do presidente (governador)
da Paraíba, João Pessoa. Após esse
acontecimento, membros das polícias estaduais de Minas, Rio Grande do Sul e
Paraíba, assim como alguns setores do Exército,
aderiram aos revolucionários. Também contribuíram a favor do movimento, o
desgosto popular em função da crise econômica de 1929, iniciada em
Nova York (EEUU).
___O governo, como diz o
historiador José Murilo de Carvalho:
[...] detinha a superioridade militar sobre os revoltosos, mas
faltava ao alto-comando vontade para defender a legalidade. Os chefes militares
sabiam que as simpatias da jovem oficialidade e da população estavam com os
rebeldes. Uma junta formada por dois generais e um almirante decidiu depor o
presidente da República e passar o governo ao chefe do movimento revoltoso, o
candidato derrotado da Aliança Liberal. Sem grandes batalhas, caiu a Primeira
República, aos 41 anos de vida. (Carvalho, José Murilo de. Cidadania no Brasil: o longo caminho. Rio
de Janeiro: Civilização Brasileira, 2015. p. 100)
Posse de Getúlio
___Getúlio Vargas assumiu o governo como chefe do Governo Provisório em 03 de novembro
de 1930, após a Revolução de 1930. Ele já havia sido
empossado na noite de 1º de novembro, quando a junta militar passou o
poder para ele no Palácio do Catete, iniciando o Governo Provisório com amplos
poderes, revogando a Constituição de
1891 e governando por decretos, segundo o Memorial da Democracia.
- Primeira posse: 1º de novembro de 1930, ao assumir o poder da Junta Governativa Provisória.
- Posse oficial como Chefe do Governo Provisório: 03 de novembro de 1930.
- Contexto: A posse de
Vargas marcou o fim da República Velha
e o início da Era Vargas.
Revolução ou Golpe?
___A Revolução de 1930 foi chamada desta maneira pelos seus membros. No
entanto, trata-se de um golpe de estado e não uma revolução. Uma revolução
possui amplo apoio popular, propõe e causa drásticas mudanças quando instalada
no poder.
___Já o golpe de Estado,
é a retirada do poder por meio da violência de um político constitucionalmente
eleito ou consagrado para aquele cargo. Os acontecimentos de 30 foram uma luta pelo poder entre as
elites, com margem de vitória a qualquer uma delas e que pouco mudariam a
estrutura social brasileira em profundidade.
Curiosidades
- Washington Luís só retornaria ao Brasil em 1947.
Por sua vez, Júlio Prestes pediu
asilo ao consulado britânico e voltaria em 1934.
- Três ex-ministros de Getúlio Vargas e três tenentes de 1930 chegaram
à Presidência da República: - Eurico
Gaspar Dutra, João Goulart e Tancredo Neves (ministros); Castelo Branco, Emílio Médici e Ernesto
Geisel (militares).
- Getúlio teve quase 100%
dos votos no Rio Grande do Sul durante a eleição de 1930.
___Assim terminava a Primeira República, ou “República Velha”, por meio de mais um golpe de Estado. Para saber mais sobre a Revolta de 1930.
Governo Provisório de Vargas
___Os aliados de Getúlio Vargas esperavam que o novo
presidente convocasse eleições gerais para formar uma Assembleia Constituinte, mas o assunto era sempre adiado.
___Cansados de esperar,
várias vozes começaram a criticar o governo provisório, como o partido
comunista, a Aliança Nacional
Libertadora, os paulistas, etc.
___Em São Paulo, cresce o
movimento pedindo eleições presidenciais e uma Constituição.
1932
___Diante da negativa do
governo central e do aumento da repressão policial, o estado de São Paulo,
declara guerra ao governo no episódio que será conhecido como a Revolução de 1932.
REVOLUÇÃO
CONSTITUCIONALISTA – Parcialmente Frustrada
___A Revolução de 1932 ou “Guerra Paulista” foi o primeiro grande levante
contra a administração de Getúlio Vargas
e também o último grande conflito armado ocorrido no Brasil.
___As elites paulistas buscavam reconquistar o comando político que
haviam perdido com a Revolução de 1930,
pediam a convocação de eleições e a promulgação de uma Constituição.
- O dia da Revolução
Constitucionalista é celebrado em 09 de julho e
é feriado no estado de São Paulo.
___Para muitos historiadores, o termo "revolução"
para o movimento constitucionalista de 1932
não é o mais adequado. Isso porque foi um movimento planejado pelas elites, cabendo
melhor o termo "revolta" para
descrevê-lo.
___A revolta, que ocorreu no estado de São Paulo contra o governo de Getúlio Vargas, foi uma resposta
paulista à Revolução de 1930, a qual
acabou com a autonomia dos estados garantidas pela Constituição de 1891. Os insurgentes exigiam do Governo Provisório a elaboração de uma
nova Constituição e a convocação de eleições para presidente.
Em 09 de julho de 1932, a revolta se
iniciou e foi liderada pelo interventor do estado - cargo equivalente ao de
governador - Pedro de Toledo
(1860-1935).
___Os paulistas fizeram uma grande campanha usando jornais e rádios,
conseguindo mobilizar boa parte da população.
___Houve mais de 200 mil
voluntários, sendo 60 mil
combatentes. Por outro lado, enquanto o movimento ganhava apoio popular, 100 mil soldados do governo Vargas partiram para enfrentar os
paulistas.
Combates
Militares
___Os paulistas esperavam o apoio de Minas Gerais e do Rio Grande do
Sul. No entanto, ambos os estados não aderiram à causa.
___Em pouco tempo, São Paulo, que planejava uma ofensiva rápida contra a
capital, se viu cercado de tropas federais. Assim, apelaram à população para
doarem ouro a fim comprar armamentos e alimentar as tropas.
Em 02 de outubro de 1932, na cidade
de Cruzeiro, as tropas paulistas se rendem ao líder da ofensiva federal e no
dia seguinte, 03 de outubro, assinam a rendição.
___No total, foram 87 dias de
combates, de 09 de julho a 04 de outubro de 1932, sendo os últimos enfrentamentos
ocorridos dois dias depois da rendição paulista.
Mapa com os principais confrontos entre as tropas paulistas e federais
Causas
da Revolução de 1932
- A Revolução de 1930 depôs o
presidente Washington Luís
(1869-1947) e impediu a posse do paulista Júlio
Prestes (1882-1946), levando Getúlio
Vargas ao poder.
- Embora tivessem perdido sua hegemonia política, os paulistas apoiaram Vargas com a esperança de que ele
convocasse eleições para a Constituinte e para presidente. No entanto, o tempo
passava e isso não acontecia. Os paulistas ficaram incomodados com isso porque Vargas havia retirado os governadores
dos estados e nomeado interventores, próximos a ele. O que eles queriam era ter
o direito de eleger o próprio interventor, o que aconteceria apenas com a conclusão
da nova constituição. Desta maneira, uma forte oposição ao governo Vargas foi iniciada pelos fazendeiros
paulistas. Além disso, houve também grande participação de estudantes
universitários, comerciantes e profissionais liberais, que exigiam convocação
de eleições.
M.M.D.C.
- Em 23 de maio de 1932, aconteceu um ato político a favor de eleições, no centro de São
Paulo. A polícia reprime um grupo de manifestantes e causa a morte de quatro
estudantes: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo. O
fato revolta a sociedade paulista e as iniciais dos jovens - M.M.D.C. - tornam-se um dos símbolos do
movimento.
Consequências
da Revolução Constitucionalista
___Foi registrado um saldo oficial de 934 mortos, embora estimativas não oficiais reportem até 2.200 falecidos (entre combatentes e
civis). Apesar da derrota no campo de batalha, politicamente o movimento
atingiu seus objetivos.
- A luta pela constituição foi fortalecida e, em 1933, as eleições foram realizadas, colocando o civil Armando Sales (1887-1945) como
governador do estado, em 1935.
- Até os dias atuais, o dia 09 de julho é
uma data comemorada por todo estado de São Paulo e lembrada em diversos
monumentos.
- O Obelisco do Ibirapuera,
por exemplo, é o monumento funerário do movimento e abriga os restos mortais
daqueles que morreram na Revolução. Ali também estão os corpos de Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo.
- Isolamento de SP: - São
Paulo lutou com poucos aliados, pois outros estados não se uniram ao movimento,
com alguns até se posicionando contra.
- Autonomia econômica:
Economicamente, São Paulo manteve sua importância no cenário nacional e
conseguiu garantir maior autonomia para a produção de café.
1934
Assembleia
Constituinte
Em 1934, foi reunida a Assembleia Constituinte que faria a
nova Carta Magna do país, promulgada
no mesmo ano. Esta seria a mais curta das constituições que o Brasil já teve,
pois foi suspensa com o golpe que instituiu o Estado Novo, em 1937.
1935
INTENTONA COMUNISTA – Frustrado
TENTATIVA DE GOLPE CIVIL/MILITAR
Em 23 de novembro de 1935, foi a vez
dos comunistas, com o levante nas bases das Forças Armadas que aconteceram no Rio de Janeiro, capital federal e
em outras cidades brasileiras e ficaram conhecidos como Intentona Comunista,
também conhecida como “Revolta Comunista de 35,
Levante Comunista ou Revolta Vermelha de 35”, resultando na decretação
do “Estado de Sítio” até julho de 1937.
___A Intentona Comunista de 1935 foi uma tentativa de golpe de Estado organizada
por militares e civis comunistas, liderados por nomes como Luís Carlos Prestes, para derrubar o governo de Getúlio Vargas e instituir um governo
comunista no Brasil. O levante ocorreu em novembro de
1935, com revoltas em Natal, Recife e Rio de Janeiro, mas foi
rapidamente reprimido pelas Forças
Armadas. O evento serviu de justificativa para Vargas endurecer seu regime, culminando na instauração da ditadura
do Estado Novo em 1937.
- Objetivo: - Derrubar o
governo de Getúlio Vargas e
estabelecer um governo de caráter comunista no Brasil.
- Organização: O movimento
foi planejado pela Aliança Nacional
Libertadora (ANL), com apoio da Internacional
Comunista.
- Desenrolar: - Os levantes
ocorreram entre os dias 23 e 27 de novembro de 1935, em Natal (RN), Recife (PE) e
Rio de Janeiro (RJ). As revoltas foram rapidamente controladas pelas tropas
legalistas.
- Consequências: - O fracasso
da intentona foi utilizado por Vargas
como pretexto para aumentar a repressão política e a restrição de liberdades
civis, levando à decretação do Estado de
Guerra e, em 1937, ao golpe que instaurou a
ditadura do Estado Novo. A repressão gerou um forte sentimento anticomunista
nas Forças Armadas.
Terceira
República
1937
ESTADO NOVO – Concretizado
AUTOGOLPE
___O autogolpe mais famoso — e neste caso, bem-sucedido — da história do
Brasil aconteceu em 1937, quando Getúlio Vargas proclamou o Estado Novo. Ele chegara ao poder por
meio da Revolução de 1930 e fora
eleito em 1934. Três anos depois, liderou o
golpe e virou “ditador”.
___Após ter sido eleito
indiretamente presidente da república, em 1934 (portanto quatro anos após a
revolução que o levou ao poder), Getúlio
Vargas teve de lidar com outros problemas. O principal deles foi a chamada Intentona Comunista, liderada por
jovens oficiais do Exército associados à Ação
Libertadora Nacional (órgão comunista criado por Luís Carlos Prestes). A intentona estourou em estados como o Rio
Grande do Norte, o Rio de Janeiro e Pernambuco, mas logo foi dominada pelas
forças do governo.
___O problema é que, nos
anos que se seguiram, o comunismo e o tenentismo a ele associado ainda eram
tidos pela alta cúpula do Exército e
pelas lideranças civis próximas a Vargas
como os principais alvos a serem combatidos.
Plano Cohen
Em 1937, foi descoberto um suposto plano de uma revolução
comunista a ser executado no Brasil, o chamado Plano Cohen. Esse plano teria sido forjado pelo capitão Olímpio Mourão Filho, com o objetivo de
provocar alarde na opinião pública e justificar um golpe de Estado e a formação
do Estado Novo.
___Não se sabe ao certo
se esse documento era realmente um plano forjado ou apenas um relatório de Olímpio Mourão, mas o fato é que a
constatação de sua existência provocou reações oportunistas por parte do Estado
maior do Exército. O ministro de
Guerra de Vargas, Eurico Gaspar Dutra, leu o Plano Cohen para o público do rádio no
programa Voz do Brasil.
Em 30 de setembro de 1937, isso bastou para que fosse aprovado no
Congresso Nacional, o estado de
guerra, que suspendia os direitos constitucionais.
___Em meados de outubro de 1937, o Ministério da Guerra
auxiliou o projeto de Vargas de
pressionar os estados que ainda não tinham suas forças militares subordinadas
ao governo federal a fazê-lo. Uma das últimas resistências a serem vencidas foi
a da Brigada Militar Gaúcha,
liderada por Flores da Cunha. Em outubro de 1937, Vargas já tinha o apoio do Exército, dos integralistas e de muitos
setores da sociedade civil e nenhuma resistência militar regional expressiva
para lhe fazer oposição.
Ação
Integralista Brasileira – Antecedentes
Em 1937, durante o governo Getúlio Vargas, a Ação Integralista Brasileira (AIB), movimento político
ultranacionalista e de inspiração fascista, abraçou com entusiasmo o golpe que
decretou o Estado Novo.
___A participação e o apoio prestados, além das movimentações do próprio
Vargas, levaram os integralistas a
pensar que teriam papel importante na nova conjuntura do governo.
___Eles estavam empolgados. Seu líder, Plínio Salgado, já se sentia ministro da Educação, segundo a
historiadora Marly de Almeida Gomes
Vianna em um artigo apresentado no Simpósio
Nacional de História.
Plínio Salgado com olhar sério e de terno
olhando em direção à câmera
CRÉDITO, ARQUIVO NACIONAL
Legenda da foto, Líder dos integralistas,
Plínio Salgado acreditou que poderia ter cargo de ministro no Estado Novo
Parada Integralistas
Em 1º de novembro de 1937, dias antes
do golpe, milhares de integralistas fizeram uma parada em estilo militar no Rio
de Janeiro, então capital federal, para saudar Vargas.
___Mas um decreto-lei ainda naquele ano frustrou os sonhos do grupo ao
extinguir todas as agremiações políticas no país — incluindo a AIB.
Inicia o
Estado Novo
Em 10 de novembro de 1937, por meio de um pronunciamento público,
Vargas decretou o fechamento do Congresso Nacional e cancelou as
eleições presidenciais que seriam realizadas em janeiro
de 1938. Por meio desse
golpe, a ditadura varguista durou até 1945.
___Sob o comando do presidente
Getúlio Vargas, tropas da Polícia Militar
cercaram o Palácio Tiradentes
(Câmara dos Deputados) e o Palácio
Monroe (Sede do Senado Federal), o Congresso
foi fechado, os partidos foram abolidos, adversários foram presos e uma nova Constituição foi promulgada. À noite,
em um pronunciamento à nação, Vargas anunciava
a instauração do Estado Novo, uma
ditadura que durou até 1945 e que foi o resultado de uma série de
acontecimentos que tiveram início em outro golpe, o de 1930,
que pôs fim à Primeira República,
com a deposição de Washington Luís pelos
militares.
1938
LEVANTE INTEGRALISTA – Frustrado
TENTATIVA DE GOLPE CIVIL
Em maio de 1938, os Integralistas resolveram tentar
destituir Getúlio Vargas do poder,
em parceria com militares — as ideias de extrema direita da AIB tinham muita penetração na Marinha, mas não tanto no Exército, segundo Gomes Vianna.
"A alma da conspiração [...] foram os
militares", escreveu a autora.
___A ideia era prender lideranças civis do governo e autoridades
policiais; capturar estações de telégrafo, telefone, rádio e luz; bloquear
pontes e tomar de assalto o Palácio Guanabara
(atual sede do governo do Rio de Janeiro), o edifício foi, no Estado Novo, residência oficial do
presidente da república. Além disso, os golpistas queriam dominar sedes
policiais e unidades navais.
"A maioria das ações planejadas não chegou
a se realizar, por ausência de comando ou por absoluta incompetência dos
mobilizados".
___Somente duas ações tiveram relevância, os ataques ao Palácio Guanabara e ao Arsenal da Marinha.
___Na emboscada na residência presidencial, os invasores dominaram os
guardas e abriram fogo contra os aposentos da Família Vargas. Que tiveram que se defender sozinhos, inclusive o
presidente. Os reforços militares para protegê-los demoraram para chegar, até
que o líder do ataque, o tenente do Exército Severo Fournier, fugiu pelo morro nos fundos do palácio.
___A investida contra o Arsenal
da Marinha também fracassou. No fim, o complô foi uma tentativa de golpe
atrapalhada para derrubar um governo instituído por um golpe bem-sucedido.
___Segundo reportagens da época, 8
pessoas morreram — e Getúlio Vargas
continuou no poder.
Quarta
República
Década de 40
1945
Antecedentes
___No meio do segundo
conflito mundial, Vargas rompeu com
a Alemanha e passou a apoiar as potências aliadas, como EUA, Inglaterra e URSS,
que foram vencedoras da guerra. Sendo assim, não teria cabimento continuar um
regime nos moldes do Estado Novo.
Pressionado, Vargas deu início então
a um processo de abertura democrática, que possibilitou a criação de novos
partidos políticos — como a União
Democrática Nacional (UDN), o Partido
Comunista Brasileiro (PCB), que voltou à legalidade, e o Partido Social Democrático (PSD) — e
gerou a perspectiva de novas eleições gerais.
___Vargas, entretanto, decidiu comandar esse processo de transição com
vistas a obter apoio político de outras bases da sociedade e, assim, conseguir
permanecer no poder por outras vias. Desse modo, de modo controverso, Vargas aproximou-se do PCB e das bases operárias urbanas,
contrariando as lideranças liberais e os militares. Essa aproximação com o PCB resultou no “Queremismo”, um movimento popular que queria a permanência de Vargas no poder e exigia a formação de uma nova Assembleia Nacional Constituinte.
DEPOSIÇÃO DE GETÚLIO VARGAS – Concretizado
GOLPE MILITAR
___Praticamente os mesmos
militares que apoiaram o golpe de 1937 tiraram Vargas do cargo de chefe de Estado em 1945.
Em 29 de outubro de 1945, o contexto
do golpe que depôs Getúlio Vargas do
cargo de presidente, era o do fim da Segunda
Guerra Mundial. Como é sabido, Vargas
foi, de 1937 a 1945, um ditador aos moldes do fascismo
europeu, tendo inclusive se aproximado da Alemanha
Nazista no início do Estado Novo.
Chefia de Polícia do Rio de Janeiro
___Em meio a esses
acontecimentos turbulentos, Vargas
cometeu um gesto considerado a “gota d'água” para sua deposição: - afastou da
chefia de polícia do Distrito Federal João
Alberto Lins de Barros e pôs em seu lugar seu irmão Benjamin Vargas, o “Beja” conhecido por ser truculento. O
general Góis Monteiro, que havia
ajudado a fazer a Revolução de 1930
e do Ministério de Guerra, reagiu ao
gesto de Vargas e mobilizou tropas
no Distrito Federal.
Exílio de Vargas
___Gaspar Dutra e outros militares, procurando evitar derramamento de
sangue, propôs a Vargas que
assinasse um documento de renúncia ao cargo. O político gaúcho assim o fez e
pôde refugiar-se em sua cidade natal, São Borja, sem ter que se exilar em outro
país.
Década de 50
1950
Vargas Eleito Pelo Voto
Em 1950, Vargas governava de novo o país, dessa vez eleito por voto direto,
quando venceu o brigadeiro Eduardo Gomes,
da União Democrática Nacional (UDN).
Foi a segunda derrota consecutiva de Gomes,
que em 1945 perdera a eleição para Eurico Gaspar Dutra, ex-ministro e
candidato de Vargas.
1953
João
Goulart
Em 1953, a UDN elegeu um novo inimigo público: o novo ministro do Trabalho, João Goulart, então um jovem político
relativamente pouco conhecido no país.
___Para combatê-lo, o partido contou com o apoio maciço de uma velha
aliada, a imprensa do eixo Rio-São Paulo, segundo as historiadoras Lilia M. Schwarcz e Heloisa M. Starling em Brasil: Uma
Biografia.
___Jornais oposicionistas atribuíam ao ministro a liderança das grandes
greves de trabalhadores que aconteciam no país. No ar, havia o temor que o
Brasil seria governado por sindicatos.
"A mera evocação da 'República
sindicalista' deixava a UDN de cabelo em pé, mas era uma peça de ficção — não
existiu nem como projeto nem como alternativa de poder", escreveram
as autoras.
Carlos
Lacerda
___O jornalista e político Carlos
Lacerda, chamado de “O Corvo”, o mais virulento desses
oposicionistas e grande voz do conservadorismo na época, atacava o ministro
sempre que podia — lembrando aos leitores que o herdeiro político de Vargas, apelidado de Jango, era um jovem de 34 anos solteiro, bonito, rico, boêmio
e namorador.
"Joãozinho Boa Pinta deve sair do
ministério e voltar ao cabaré, que é a sua universidade, a sua caserna e o seu
santuário", escreveu em seu jornal, o Tribuna da Imprensa.
1954
DEPOSIÇÃO
DE GETÚLIO – Frustrado
TENTATIVA DE GOLPE CIVIL/MILITAR
___José Linhares, sucessor
imediato de Vargas, não foi
articulador do movimento.
Em janeiro de 1954, Jango apresentou sua proposta de
reforma, atendendo às reivindicações do movimento sindical. A principal medida
era dobrar o salário mínimo.
"A UDN estrilou no Congresso, os jornais
oposicionistas cuspiram fogo, mas quem ameaçou mesmo a estabilidade democrática
foram os quartéis", segundo Schwarcz
e Starling.
Em fevereiro, 42 coronéis e 39
tenentes-coronéis do Exército entregaram uma carta a seus superiores, que
fizeram questão de divulgá-la entre políticos da UDN e jornalistas alinhados.
___Conhecido como "manifesto dos
coronéis", o texto acusava o governo de aceitar um clima de
negociatas e dizia que uma crise de autoridade atingia as Forças Armadas, ameaçando o país com o risco de desordens. O
documento afirmava também que a proposta salarial aumentava demais as contas
públicas.
___Jango não resistiu à
pressão e deixou o cargo. Nesse clima de muita instabilidade, apenas seis meses
depois, ocorreu o atentado da Rua
Tonelero no Rio de Janeiro.
Rua
Tonelero
Em 05 de agosto de 1954, nessa rua
carioca, um pistoleiro contratado por Gregório
Fortunato, chefe da guarda presidencial, atirou em Carlos Lacerda. Ele ficou ferido, mas o homem ao seu lado, o major
da Aeronáutica Rubens Vaz, morreu.
___O atentado fracassado corroeu a base política de Vargas. Generais divulgaram um novo manifesto, agora pedindo sua
renúncia.
___Ao sobreviver, Lacerda ganhou
força política. A trama golpista poderia ganhar corpo, mas algo não cogitado
aconteceu e transformou a opinião pública.
Suicídio de Getúlio Vargas
Em 24 de agosto de 1954, Getúlio Vargas morreu, no seu quarto no
Palácio do Catete, no Rio de
Janeiro, através de um suicídio com um tiro no coração, motivado por uma grave
crise política que o levou a ser pressionado a renunciar. Seu ato final, descrito
em sua carta-testamento, chocou o país, causando grande comoção popular e
marcou seu legado na história do Brasil.
- Motivação: - Ele agiu para
neutralizar a oposição que se intensificou após o atentado da Rua Tonelero e as exigências de
renúncia por parte dos militares, vendo o suicídio como um sacrifício pessoal e
uma forma de entrar para a história.
- Carta-testamento: Em sua
carta, ele culpou as forças contra o povo e os inimigos da nação, afirmando que
seu sacrifício manteria o povo unido e seu nome seria a bandeira de luta.
- Repercussão: - A morte de Vargas gerou grande comoção nacional e
uma revolta popular com grandes quebra-quebra aos opositores. O cortejo fúnebre
arrastando uma multidão que se despediu do presidente em seu trajeto para ser
sepultado em São Borja (RS).
- Consequências: - O ato foi
visto como uma forma de Vargas
evitar um fracasso e o derramamento de sangue, e por um tempo, impediu a
ascensão de forças contrárias ao trabalhismo ao poder. A trama golpista poderia
ganhar corpo, mas três semanas depois o presidente se matou com um tiro no
peito.
___Entretanto, os coronéis que assinaram o manifesto precisariam
aguardar mais alguns anos para tomar o poder de vez.
___Isso porque o redator do "manifesto dos
coronéis" era Golbery do
Couto e Silva, que teria papel central, dez anos depois, no Golpe de 1964 e na subsequente ditadura
militar.
___Além dele, outros futuros generais que participariam do regime, como Sylvio Frota e Ednardo d'Ávila Melo, assinaram o texto.
1956
REVOLTA
DE JACAREACANGA – Frustrado
TENTATIVA DE GOLPE MILITAR
GOLPE PREVENTIVO DE LOTT – Concretizado
Retrato de Carlos Luz em preto e branco; ele
está sério olhando para o lado
CRÉDITO, DOMÍNIO PÚBLICO
Legenda da foto, Carlos Luz, que chegou a ser
presidente interino e simpatizava com golpistas, foi deposto
Em 1956, sábado de Carnaval, começou
com dois oficiais da Aeronáutica, o
major Haroldo Veloso e o capitão José Chaves Lameirão, arrombando um
depósito de munição da Base Aérea dos
Afonsos, no Rio de Janeiro, e surrupiando um avião de combate.
___A dupla voou, cheia de armas e explosivos, até uma guarnição da Força Aérea localizada em Jacareacanga,
extremo-sudoeste do Pará. Udenistas de carteirinha e fãs de Carlos Lacerda, eles não aceitaram o
resultado das eleições de outubro de 1955, em
que Juscelino Kubitschek venceu para
presidente e João Goulart, para
vice.
___A ideia era dar início a uma guerra civil no meio do Brasil. Mas eles
não ganharam adesão e, ainda na Quaresma, o levante estava liquidado, contou o
jornalista Claudio Bojunga no livro
JK: O Artista do Impossível. Veloso foi
preso e Lameirão fugiu.
___O episódio mostra que, desde o ano anterior, um clima golpista
pairava na capital federal. A atmosfera contava com o endosso, ainda que
discreto, de Café Filho, o
vice-presidente que assumiu o governo após o suicídio de Getúlio Vargas, e de ministros poderosos, entre eles Eduardo Gomes, ministro da Aeronáutica
e ex-candidado duplamente derrotado.
___No mês seguinte à eleição, Café
Filho se afastou do cargo alegando motivo de saúde. O presidente da Câmara
dos Deputados, Carlos Luz, assumiu
interinamente a presidência, como mandava a Constituição.
___Luz, que simpatizava com
os golpistas, convocou o ministro da Guerra, o general Henrique Teixeira Lott, para informá-lo que desautorizara uma
decisão sua, a fim de forçá-lo a abdicar do cargo.
___Lott era um legalista
convicto, considerado um militar estritamente profissional e contava com a
lealdade das tropas. Ou seja, era uma pedra no sapato para qualquer tentativa
golpista.
___O ministro estava certo de que um golpe se desenhava. Então ele se
adiantou, pôs os tanques na rua, ocupou prédios do governo e isolou a Marinha e a Aeronáutica, que estavam alinhadas com a trama golpista.
___Lott entregou o caso ao
Congresso, que decidiu pela deposição de Carlos
Luz. O presidente do Senado, Nereu
Ramos, assumiu a presidência até a posse de Juscelino, dois meses depois.
___Assim, para evitar um Golpe de
Estado, o general Lott acabou
liderando um golpe preventivo. Ou um contragolpe, como o dia 11 de novembro de 1955 passou a ser lembrado.
1959
REVOLTA
DE ARAGARÇAS – Frustrado
TENTATIVA DE GOLPE MILITAR
Capa de jornal CRÉDITO, LUTA
DEMOCRÁTICA/BIBLIOTECA NACIONAL/AGÊNCIA SENADO
Legenda da foto, O Jornal Luta Democrática
noticiou o primeiro sequestro de um avião na história do Brasil
Em dezembro de 1959, corriam rumores
de uma suposta rebelião esquerdista que seria liderada pelo governador do Rio
Grande do Sul, Leonel Brizola, e de
uma possível desistência do presidenciável Jânio
Quadros, apoiado pela UDN, de
concorrer à eleição de 1960. Foi um rebuliço
entre os militares.
___Eles entendiam que isso abriria caminho para JK conseguir eleger seu sucessor — o que seria mais uma derrota
para os udenistas e os conservadores em geral.
___Naquele mês, um avião da Panair
que saiu do Rio de Janeiro com destino a Manaus desapareceu com 46 pessoas a bordo. Não foi um
desastre, mas um sequestro: - o primeiro sequestro de uma aeronave na história
do Brasil.
___Paralelamente, membros do mesmo grupo roubaram três aviões da Aeronáutica, cheios de armamentos, na Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro,
e no Aeroporto da Pampulha, em Belo
Horizonte. Estava em curso mais uma tentativa de “Golpe
de Estado”.
___Com os cinco aviões em mãos, os rebeldes se instalaram em Aragarças,
no sudeste de Goiás. Seu objetivo era bombardear a então sede da Presidência da
República, o Palácio do Catete, no
Rio de Janeiro, e matar JK. O
atentado encerraria a hegemonia da aliança do PTB de Jango e Getúlio com o PSD de Juscelino no
poder.
___A Revolta de Aragarças,
como ficou conhecida, foi arquitetada pelo chamado Comando Revolucionário, formado por oficiais da Aeronáutica e do Exército.
___O grupo tentou angariar apoio da população ao divulgar um manifesto
em que dizia que o Brasil corria grave risco de virar comunista. Não deu certo.
___O texto atacava o Executivo
("corrupto"),
o Legislativo ("demagógico") e o Judiciário ("omisso").
"Apesar de o levante ter sido planejado ao
longo de dois anos, os rebeldes conseguiram adesões em número muito inferior ao
esperado, o que os levou ao fracasso", explicou a historiadora Marina Gusmão de Mendonça em um artigo
apresentado em uma conferência da Associação
Nacional de História.
Intentona
___Apenas 15 pessoas
participaram da intentona. Entre elas, estava o major Haroldo Veloso, o líder da igualmente fracassada Revolta de Jacareacanga.
___JK havia anistiado os
participantes da revolta de três anos antes, na esperança de sossegar os ânimos
golpistas. Por um tempo, deu certo, mas logo eles saíram da toca de novo.
___No dia seguinte ao sequestro do voo da Panair, a rebelião estava eliminada. Não houve mortes, e os
revoltosos fugiram para países vizinhos.
Década de 60
1961
RENÚNCIA
DE JÂNIO QUADROS – Frustrado
TENTATIVA
DE AUTOGOLPE
Em 25 de agosto
de 1961, dia do Soldado, Jânio Quadros renunciou à presidência,
após governar por menos de sete meses. A renúncia ocorreu através de um bilhete
ao Congresso, onde ele alegou que "forças terríveis" o impediam de
governar. A decisão foi controversa, levando a uma crise política e quase uma
guerra civil.
Motivos
e Contexto da Renúncia
Conflitos Internos: -
Apesar de não haver crises militares ou greves, a renúncia foi desencadeada por
uma série de polêmicas em seu governo.
Política Externa: - Sua
decisão de condecorar Ernesto Che Guevara, apesar de não ser alinhado ao
comunismo, irritou os militares e o isolou politicamente.
Intenção de Renúncia:
- Muitos especulam que a renúncia foi uma estratégia para obter mais poderes,
acreditando que o Congresso não a aceitaria, o que acabou não acontecendo.
Consequências
da Renúncia
Crise Política: - A
saída de Jânio Quadros gerou uma crise política que quase resultou em uma
guerra civil.
Instalação do Parlamentarismo: - Para evitar a guerra civil, foi negociada uma saída política que
levou à instauração do regime parlamentarista no Brasil.
Posse de João Goulart:
- O vice-presidente João Goulart, que estava na China na época, só conseguiu
tomar posse sete meses depois, e com poderes reduzidos, devido à mudança no
sistema de governo.
SOLUÇÃO
PARLAMENTARISTA –
Concretizado
GOLPE CIVIL/MILITAR
Golpistas: - Junta Militar de 1961 (formada pelos ministros militares marechal Odílio Denys, ministro do Exército,
brigadeiro-do-ar Gabriel Grün Moss,
ministro da Aeronáutica, e almirante Sílvio
de Azevedo Heck, ministro da Marinha) e Congresso Nacional; golpeado o vice-presidente eleito, João Goulart.
___Segundo Flávio Tavares: "O golpe de Estado de 1961 não foi apenas uma tentativa
abortada, mas um acontecimento concreto, com governo estabelecido desde o
primeiro instante em Brasília. Naqueles dias, o que foram os três ministros
militares se não uma “junta governativa” que tomou o poder em lugar do
renunciante Jânio? - A curta duração não lhe tira a característica de algo
consumado, nem o transforma em episódio somente tentado" (1961 - O
Golpe do Derrotado; ed. L&PM, 2012). A junta militar brasileira de 1961 era
formada pelos ministros militares do presidente renunciante Jânio Quadros (Odílio Denys, marechal
do exército; Gabriel Grün Moss,
brigadeiro-do-ar da aeronáutica; e Sílvio
de Azevedo Heck, almirante da marinha), exercendo o poder de fato antes da
posse de João Goulart (que voltava
de viagem oficial exitosa à China), à qual não desejavam, durante o primeiro
governo de Ranieri Mazzilli. A saída
do impasse político foi a adesão ao parlamentarismo.
CAMPANHA
DA LEGALIDADE – Concretizado
O ÚLTIMO
LEVANTE GAÚCHO
___A Campanha da Legalidade
de 1961 foi um movimento civil e militar
liderado por Leonel Brizola, governador
do Rio Grande do Sul, que defendia a posse do vice-presidente João Goulart após a renúncia de Jânio Quadros, evitando um golpe
militar. O movimento utilizou uma rede de rádio, a "Cadeia
da Legalidade", para mobilizar o povo e garantir a sucessão
presidencial.
Em 07 de setembro de 1961, toda a
crise levou à solução da posse de Goulart
sob o regime parlamentarista.
Contexto
Renúncia de Jânio Quadros: Em
25 de agosto de 1961, o presidente Jânio Quadros renunciou, deixando o
vice-presidente João Goulart em uma situação de incerteza, pois os ministros
militares se opunham à sua posse.
Guerra Fria: A oposição a
Goulart era alimentada pelo medo de que ele pudesse aproximar o Brasil do bloco
comunista.
A
Campanha
Liderança: - Leonel Brizola, governador do Rio
Grande do Sul, liderou o movimento a partir do Palácio Piratini.
Mobilização: - Brizola utilizou a rádio para mobilizar
a população gaúcha e a opinião pública nacional, denunciando o golpe e
conclamando à resistência.
Cadeia da Legalidade: - Uma
rede de 104 emissoras de rádio
transmitiu os discursos e comunicados de Brizola,
garantindo a divulgação da mensagem em meio à censura do Ministério da Guerra.
Apoio Militar: A- campanha contou com o apoio de militares
nacionalistas e da Brigada Militar
gaúcha, que se recusaram a reprimir o movimento.
Consequências
Posse de João Goulart: - A
vitória da Legalidade permitiu a
posse de João Goulart como presidente.
Parlamentarismo: - Para
viabilizar a posse, o Congresso
aprovou uma emenda constitucional que instituiu o regime parlamentarista,
limitando os poderes de Jango.
Retorno do Presidencialismo: -
O regime parlamentarista costurado no Congresso
principalmente por Tancredo Neves,
que foi o interlocutor com Jango no
Rio Grande do Sul, a situação durou até 1963,
quando um plebiscito devolveu o presidencialismo ao Brasil.
Golpe ou
Revolução?
___Definir o que é uma tentativa de “Golpe de
Estado” pode ser complexo, porque a própria definição de golpe é
disputada por setores da sociedade.
"No léxico político, somente as rupturas
de regime que possuem um caráter social e politicamente conservador – ou seja,
que mantêm a ordem social e as classes dominantes no poder, mesmo que entre
elas ocorra alguma alteração na hierarquia interna – são designadas golpes de
Estado", explica David
Maciel, da UFG.
___Para Sá Motta, da UFMG,
isso é um debate antigo, "especialmente porque os
golpistas de 1964 não gostam de se referir ao Golpe de 1964 como golpe".
"Preferem chamar de movimento, de
revolução".
"A melhor definição para golpe é quando
nós temos um episódio em que uma parte de agentes estatais ou figuras que fazem
parte do aparelho estatal tentam derrubar ou fazer uma intervenção violenta nas
instituições", explica.
"Revolução, por outro lado, sempre vem de
fora do Estado. Quase sempre são episódios violentos de mudança de poder,
movidos por agentes externos, que fazem a revolução exatamente porque não são
contemplados pelo regime político, pelo status quo. Então, não faz sentido
chamar 1964 de revolução, porque os protagonistas eram agentes internos do
Estado", diz Motta.
1964
Antecedentes
___Os debates em torno do
Golpe de 1964 são bastante
polêmicos, mas os fatos são os seguintes: - João Goulart, nos anos de 1963 e 1964, apresentava uma postura polêmica ao
incitar militares de patente baixa, como sargentos, a se insubordinarem contra
a hierarquia militar.
Em 30 de março de 1964, isso ficou explícito em sua reunião
com subtenentes e sargentos no Automóvel
Clube, considerada a gota d'água para o golpe.
Reformas de Base
___Além de apoiar as
reivindicações de reformas dentro da estrutura militar, Goulart também tinha propostas de reformas de base em outros
setores, como o setor agrário. Essas reformas possuíam, aos olhos de seus
críticos, um conteúdo radical com grande aproximação com a perspectiva política
comunista. Além disso, havia movimentações de focos guerrilheiros no Brasil,
como o das Ligas Camponesas de Francisco Julião — líder popular que
havia visitado Fidel Castro em 1961 —,
que deixavam os militares em alerta.
Quinta
República
31 DE MARÇO – Concretizado
GOLPE CIVIL/MILITAR
Entre os dias 31 de março e 02 de abril de
1964, o presidente da
República eleito João Goulart teve o
governo derrubado.
___Em meio a essa
ambiência:
Em 31 de março de 1964, na madrugada, o general Olímpio Mourão Filho mobilizasse suas
tropas de Juiz de Fora (MG) contra o
governo. Ao mesmo tempo, no Rio de Janeiro, Costa e Silva liderou outra ofensiva, independente de Mourão.
___No dia seguinte, Goulart diante dessas ações, não havia
ainda se manifestado.
Congresso Nacional
Em 02 de abril de 1964, o Congresso
Nacional, fazendo pensar que o presidente havia se exilado, em uma manobra,
declarou a presidência vaga, mesmo com o Chefe
da Casa Civil e todo o governo instalado. O presidente do Congresso, Ranieri Mazzilli, assumiu o posto. O
problema é que Goulart não tinha
saído do país, estava em Porto Alegre, mas já era tarde demais. A decisão do Congresso estava tomada.
___Além do mais, a
decisão dos generais estava tomada, haja vista que eles instalaram o Supremo Comando Revolucionário e
escolheram, por meio do Ato
Institucional nº 1, um novo presidente para o Congresso.
O Golpe
___O problema em entender
o Golpe de 1964 está, portanto, em três pontos:
- Goulart poderia ter dado vazão a um golpe de feição
comunista/militar (semelhante à Intentona Comunista de 1935) e, por isso, houve
a reação dos generais brasileiros?
- O Congresso errou em declarar a cadeira da presidência vaga antes da
hora?
- Os militares erraram ao
instituir o Supremo Comando
Revolucionário, não respeitando o Congresso
Nacional, que já havia colocado Renieri
Mazzilli à frente do país?
___Essas questões até
hoje são exaustivamente debatidas por historiadores, políticos e jornalistas.
Todavia, como houve uma ruptura com a ordem institucional, as ações de 31 de março a 2 de abril de 1964 podem, sim, ser classificadas como
golpe.
___Apesar de o sucessor de João
Goulart não ter sido Humberto de
Alencar Castelo Branco, mas Ranieri
Mazzilli, este não foi um participante ativo da articulação nem beneficiado
pelas suas consequências, tanto que durante este seu mandato, quem governava de
fato era o autodenominado Comando
Supremo da Revolução, por sua vez formado por Artur da Costa e Silva, ministro do Exército; Augusto Rademaker Grünewald, ministro da Marinha, e Francisco de Assis Correia de Melo,
ministro da Aeronáutica.
- Eleição Indireta: - Golpe "legitimado" por eleição indireta 9 dias depois, com vitória de Castelo.
1969
PROMULGAÇÃO
DO AI-12 – Concretizado
GOLPE DENTRO DO GOLPE MILITAR
___Golpistas: - Junta Militar
de 1969, formada pelos ministros militares: - General
Aurélio de Lira Tavares, ministro do
Exército, Almirante Augusto Rademaker,
ministro da Marinha, e Brigadeiro Márcio
de Sousa Melo, ministro da Aeronáutica; golpeado: Pedro Aleixo. Fazendo uma analogia com a tomada de poder pela Junta de 1930,
o presidente Costa e Silva seria o "golpeado" imediato, mas no caso, a
motivação do seu afastamento forçado foi por problemas de saúde, contexto bem
diferente da deposição de Washington
Luís.
Década de 70
1977
GOLPE DENTRO DO GOLPE MILITAR – Frustrado
Em 12 de outubro de 1977, uma crise militar foi desencadeada
pela demissão do então ministro do Exército, general Silvio Frota, pelo presidente Ernesto
Geisel. A exoneração ocorreu na manhã daquele dia, quando Geisel convocou o ministro para uma
breve reunião e comunicou sua decisão de demiti-lo.
___Silvio Frota, enquanto ministro do Exército, apresentava-se como um
militar de linha-dura e era fortemente contrário à proposta de abertura "lenta e gradual" do governo Geisel.
Ele planejava candidatar-se à Presidência em 1979, divergindo de Geisel em questões delicadas da época, como a decisão de afastar o
comandante do 2º Exército, Ednardo
D’Ávila Mello, em 1976, após a morte de Manoel Fiel Filho nas dependências do DOI-CODI.
Demissão e Articulação de Golpe
- O presidente Ernesto Geisel comunicou ao ministro Silvio Frota que desejava vê-lo ainda
naquela manhã, em Brasília. Mais tarde, naquele mesmo dia, os dois se reuniram
no gabinete presidencial para uma rápida conversa, iniciada por Geisel:
“Frota, nós não estamos mais nos entendendo. A
sua administração no ministério não está seguindo o que combinamos. Além disso,
você é candidato à presidência e está em campanha. Eu não acho isso certo. Por
isso preciso que você peça demissão.”
- Frota rebateu:
“Eu não peço demissão.”
- Ao que o presidente
respondeu:
“Bem, então vou demiti-lo. O cargo de ministro
é meu, e não deposito mais em você a confiança necessária para mantê-lo. Se
você não vai pedir demissão, vou exonerá-lo.”
___Após deixar o Palácio do Planalto, Frota tentou articular uma reação para
afrontar a decisão do presidente da República, buscando apoio entre generais e
redigindo um manifesto de oito páginas que pretendia enviar a todas as unidades
do Exército, o que acabou não sendo
feito. Geisel, no entanto, já havia
se antecipado, previamente informando alguns generais de sua decisão, como Gustavo Moraes Rego Reis, da 11ª
Brigada de Infantaria Blindada em Campinas, que por sua vez repassou a
informação ao comandante do II Exército, em São Paulo. ___Dois dias antes, Geisel também havia conversado com o
comandante do I Exército, José Pinto de
Araújo Rabello, que reagiu dizendo:
“Já devia ter tirado.”
___No mesmo dia, foi publicada no Diário Oficial da União a exoneração de
Sílvio Frota, assim como a indicação
do seu sucessor, Fernando Belfort
Bethlem, ex-comandante do III Exército.
1979
Lei da
Anistia – Ampla Geral e Irrestrita
A partir de 1979, o governo militar inicia o processo de
retomada da democracia “Lenta e Gradual”, com a Lei da Anistia.
Década de 80
1982
___O General João Baptista Figueiredo foi o último
presidente do regime militar. Ele determinou que a abertura do País iria
ocorrer de maneira lenta e gradual.
___Somente em 1982,
foram retomadas as eleições diretas para governador. Nesse período da história,
o Brasil contava com quatro partidos políticos na oposição.
___Eram eles o PMDB (Partido do Movimento Democrático
Brasileiro), PT (Partido dos
Trabalhadores), PDT (Partido
Democrático Trabalhista) e PTB (Partido
Trabalhista Brasileiro).
1983
Diretas Já!
___ "Diretas Já" foi o movimento político de cunho popular que teve como
objetivo a retomada das eleições diretas ao cargo de presidente da República no
Brasil.
___O nome “Diretas Já!” substitui o “Abaixo a Ditadura” que os líderes acharam agressivo no
momento político, a chamada foi idéia de João
Doria Neto (publicitário e político que também atuou como empresário) pai
do ex-governador João Dória
(2019/2022) que viu uma foto no jornal sobre a mesa uma faixa singela que dizia
“Diretas Já”.
Em maio de 1983, o movimento Diretas Já começou, tendo mobilizado milhões de pessoas em comícios
e passeatas. Contou com a participação de partidos políticos, representantes da
sociedade civil, artistas e intelectuais.
Nota:
- Mesmo sendo marcado por significativo apelo popular, o
processo de eleições diretas só ocorreu em 1989. Ou seja, 29 anos depois da escolha do último presidente, em 03 de outubro de 1960.
Precedentes
___A ideia de criar um
movimento a favor de eleições diretas foi lançada em 1983,
pelo então senador alagoano Teotônio
Vilela no programa Canal Livre
da Rede Bandeirantes.
Em 31 de março de 1983, ocorreu a primeira manifestação
pública a favor de eleições diretas ocorreu no recém-emancipado município de Abreu e Lima, na Região Metropolitana do Recife em Pernambuco, organizada por
membros do Partido do Movimento
Democrático Brasileiro (PMDB) no município, a manifestação foi noticiada
pelos jornais do estado.
Em 15 de junho de 1983, foi seguida por manifestações em
Goiânia (GO).
Em 09 novembro de 1983, foi a vez de Curitiba (PR).
___No período em que
eclodiram os atos pela realização de eleições diretas, o Brasil era governado pela
Ditadura Militar. O golpe militar
iniciado com o golpe de 1964 vetou a participação dos eleitores
para a escolha do presidente e governadores dos estados.
___Durante o golpe, o Congresso Nacional foi fechado e a
escolha do presidente e governadores ficou sob a responsabilidade de uma junta
militar.
___Após a promulgação da Constituição de 1967, a escolha do
presidente passou a ocorrer por meio do voto do Colégio Eleitoral.
Deputado Dante de Oliveira, autor da emenda das
Diretas Já
Emenda Dante
___Na perspectiva de
eleições diretas, o desconhecido deputado mato-grossense Dante de Oliveira foi convocado pois havia apresentado em 1983
uma emenda constitucional. A proposta previa, ainda, o fim do Colégio Eleitoral. Se fosse aprovada, o
voto direto ocorreria nas eleições de 1985.
___Entre os principais
articuladores do movimento estava o deputado federal Ulysses Guimarães. O parlamentar promoveu, em maio de 1983, um debate no auditório de Goiânia. O ato foi um estopim para comícios
que varreram o País.
___O movimento foi a
tradução da insatisfação do povo brasileiro com a perseguição política e a
ineficiência econômica do governo militar.
Em 1983, a inflação chegava a 211%, a dívida externa comprometia boa parte das riquezas do País e
a crise do petróleo afastava investidores.
1984
Comícios
Em janeiro de 1984, em meio aos debates para a sucessão, o
General João Figueiredo se afasta do
processo de escolha. A saída ocorreu dias depois de um comício promovido pelo PT (Partido dos Trabalhadores), em
Olinda e outro em Curitiba.
___A estratégia usada
para que o movimento aparecesse na grande mídia foi o pagamento de inserções
publicitárias nos intervalos do Jornal
Nacional, da Rede Globo.
Em 05 de janeiro de 1984, trinta mil pessoas compareceram ao
comício de Curitiba (PR).
___Também foram
promovidos comícios e passeatas:
- Camboriú (SC), a 14 de janeiro de 1984,
- Salvador (BA), a 20 de janeiro de 1984, os atos reuniram respectivamente 3 mil e 15 mil pessoas.
___O apelo popular
aumentou com a participação de 200 mil
pessoas em comício promovido no dia 25 de
janeiro de 1984, na Praça da Sé, em São Paulo (SP).
Diretas Já
Comício pelas eleições diretas. Praça da Sé, em
São Paulo
___O ato reuniu as
principais lideranças políticas pró-diretas. Estavam presentes Leonel Brizola, governador do Estado do
Rio de Janeiro (PDT-RJ), Ulisses
Guimarães e Luiz Inácio Lula da
Silva, entre outros. Também estiveram no palco atores e músicos, como Chico Buarque, Milton Nascimento e Fernanda
Montenegro. A partir desse ato, comícios foram realizados em todo o Brasil,
sempre com grande volume de participantes. Além das ruas, os participantes
também puderam acompanhar a intenção de voto dos congressistas à emenda de Dante de Oliveira.
Placar das Diretas
Em fevereiro de 1984, foi instalado na Praça da Sé (SP) o "Placar
das Diretas". Também
é iniciada a Marcha para Brasília, uma caravana para acompanhar a votação na
Capital Federal.
Em 10 de abril de 1984, o ato de maior concentração de
apoiadores das diretas ocorreu no Rio de Janeiro RJ). Em seis horas, um milhão
de pessoas ouviram os apoiadores da retomada do voto direto em comício
promovido na Candelária.
Votação da Emenda
___Até o dia 25 de maio de 1984, políticos e artistas dividiram o palanque em vários atos, quando foi
votada a Emenda de Dante de Oliveira.
___A sessão foi de
intenso movimento e tensão, com falta e bloqueios pelo Exército. Ainda assim, a Câmara
dos Deputados não aprovou a emenda e as eleições daquele ano não contaram
com a participação do povo.
___As “Diretas Já” unificaram a oposição à Ditadura
Militar, a partir deste momento a nação nunca mais foi a mesma, triste com
a derrota, mas não omissa. Apesar da derrota de 1984, as eleições de 1985 vão
ser vencidas por Tancredo Neves, um
dos principais líderes do movimento, pelo Colégio
Eleitoral.
1985
COLÉGIO ELEITORAL POSTO
Em 15 de janeiro
de 1985, o mineiro Tancredo Neves foi
eleito Presidente do Brasil pelo Colégio
Eleitoral, na última eleição indireta do período militar. Ele venceu seu
oponente, o paulista Paulo Maluf,
por uma margem expressiva de votos, marcou o fim da “Ditadura Militar”.
___O resultado da votação foi o
seguinte:
- Tancredo de Almeida Neves (Aliança
Democrática): 480 votos
-
Paulo Salim Maluf (PDS): 180 votos
-
Abstenções/Votos em Branco: 26 votos
Pós Colégio
-
Eleição: - Tancredo Neves foi eleito presidente pelo Colégio Eleitoral, sendo o primeiro presidente civil após 21 anos de regime militar.
-
Doença e Internamento: - Na véspera
da posse, em 14 de
março de 1985, Tancredo foi
internado às pressas no Hospital de Base
de Brasília com fortes dores abdominais.
-
Faleceu antes da Posse: - Apesar de
ter sido eleito, Tancredo Neves
faleceu em 21 de
abril de 1985, sem tomar posse.
-
Transição de Governo: - Com a
impossibilidade de assumir, José Sarney,
seu vice-presidente, tomou posse e governou o país.
-
Reconhecimento Oficial: - Mesmo sem
ter assumido o cargo, Tancredo Neves
é reconhecido oficialmente como um ex-presidente do Brasil por meio da Lei nº 7.465, de 21 de abril de 1986.
BASTIDORES DA DOENÇA E MORTE DE TANCREDO
MEDO DE GOLPE E CONTRAGOLPE
___Os bastidores políticos da morte de Tancredo Neves envolvem a transição da
ditadura para a democracia, o medo de instabilidade e a controvérsia sobre o
estado de saúde do presidente. A internação de Tancredo um dia antes da posse causou uma crise institucional,
levando o vice-presidente José Sarney
a assumir o governo interinamente para evitar um colapso político,
especialmente com a presença de setores militares mais resistentes à
redemocratização. Havia uma pressão para evitar o pânico e a comoção, o que
levou a relatos de que a notícia da morte teria sido atrasada intencionalmente
e a uma tentativa de "acalmar o
país" com uma foto
de Tancredo e Risoleta Neves e equipe médica.
Exército – Gal. Leônidas Pires Gonçalves
___O general que teve um
papel crucial ao garantir a posse de José
Sarney como presidente interino, e que, indiretamente, o "levou" a Ulysses
Guimarães (que era o próximo na linha de sucessão, como presidente da Câmara dos Deputados, segundo a
Constituição da época), foi o General Leônidas
Pires Gonçalves.
___Na noite em que o
presidente eleito Tancredo Neves foi
internado, em março de 1985, havia uma grande incerteza jurídica
e política sobre quem deveria assumir o governo. Existia a possibilidade de um
novo golpe militar ou que o presidente da Câmara,
Ulysses Guimarães, assumisse
imediatamente.
Constituição Vigente
___Leônidas Pires Gonçalves, que viria a ser o Ministro do Exército no
governo Sarney, interveio e
argumentou, com base na Constituição vigente, que a interinidade do governo
deveria ser passada ao vice-presidente eleito, José Sarney, e não a Ulysses
Guimarães. Essa posição, vinda de um general de alta patente, foi decisiva
para garantir a transição democrática e a posse de Sarney. Ulisses
internamente teve que se dobrar pois poderia o próprio Gal. Leônidas no final querer assumir a
presidência, como muitos militares insatisfeitos queriam.
___Portanto, o General Leônidas Pires Gonçalves foi a figura
militar chave cuja decisão levou ao reconhecimento e à posse de Sarney, o que o
colocou na posição de interagir com Ulysses
Guimarães como seu vice e, posteriormente, como presidente efetivo após a
morte de Tancredo.
- Crise Institucional: - A doença e internação urgente de Tancredo Neves na véspera da cerimônia marcada para 15 de março de 1985, pouco antes de tomar posse, criaram uma crise
institucional e um clima de incerteza no país.
- Temor da Instabilidade: - Havia um grande receio de que a
doença de Tancredo pudesse gerar
instabilidade, principalmente em um momento de transição delicada do regime
militar.
- Apoio a Sarney: José Sarney
assumiu a presidência interinamente para evitar uma ruptura no processo de redemocratização,
tendo recebido apoio de parte do governo para estabilizar o país.
- Falta de Transparência: - A gestão da informação sobre o
estado de saúde de Tancredo foi
marcada pela falta de transparência e por boatos de que a verdade estava sendo
ocultada. A foto que o mostrava ao lado de médicos foi usada para tentar
tranquilizar a população, mas acabou tendo o efeito contrário.
- Teorias Conspiratórias: - As teorias conspiratórias sobre a
morte de Tancredo Neves ocorrida em 21 de
abril de 1985, se espalharam
pelo país, incluindo o boato de que ele teria sido envenenado.
Descobertas Posteriores: Anos depois, descobriu-se que os erros médicos e
o tratamento inadequado podem ter sido as verdadeiras causas da morte de Tancredo Neves.
Constituinte
Em 1985, a Assembleia
Nacional Constituinte foi convocada pelo presidente José Sarney, por meio da Emenda
Constitucional nº 26. Participaram
559 parlamentares (72 senadores e
487 deputados federais).
Nota:
- A Constituinte
e instalada em 1º de fevereiro de 1987. O processo vai culminar na
promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil.
1988
Sexta
República
CONSTITUIÇÃO CIDADÃ
Em 05 de outubro de 1988, ocorreu a promulgação da Constituição Federal de 1988,
marcando o fim da Ditadura Militar e
o início da redemocratização do país. Conhecida como "Constituição Cidadã", a carta magna foi o resultado do
trabalho da Assembleia Nacional
Constituinte, com ampla participação popular, e estabeleceu uma nova ordem
jurídica com ampliação das liberdades individuais e garantias sociais.
Processo de Criação
___O processo incluiu a
participação da sociedade, que enviou mais de 80 mil sugestões através de formulários distribuídos pelos Correios. O trabalho da Assembleia ocorreu por cerca de 20 meses, com debates e negociações
intensas.
Principais Marcos da Promulgação
- Fim da Ditadura: - A promulgação representou a ruptura definitiva
com o regime militar que durou 21 anos.
- Redemocratização: - O documento é considerado o símbolo da
transição democrática do país.
- Ampliação de Direitos: - Garantiu a inviolabilidade de direitos,
liberdade de expressão, proibição da tortura e criminalização do racismo.
- Participação Popular: - A Constituição
de 1988 foi a primeira a incluir a participação da população na elaboração
de um projeto de lei de tal magnitude.
Século XXI
Década de 10
2014
Lava
Jato
Em 17 de março de 2014, segunda-feira,
revelações da PF através do MP iniciam a operação Lava Jato acentuaram-se e implicaram
diversos políticos governistas e oposicionistas.
Contexto
Eleição 2014
Em 26 de outubro de 2014, a
presidente Dilma Rousseff comemora
sua reeleição, na eleição presidencial de 2014,
a Presidente Dilma Rousseff (PT) foi
reeleita com 51,6% dos votos
válidos, derrotando o Senador Aécio
Neves (PSDB) na eleição presidencial que seria a mais acirrada da história
do Brasil até aquele momento. A reeleição de Dilma marcou a quarta eleição presidencial consecutiva vencida pelo
PT, sendo a sexta, também
consecutiva, em que os dois principais postulantes eram filiados ao PT e PSDB.
Dilma –
Impopularidade
___Com a impopularidade de Dilma,
manifestações antigovernamentais mobilizaram milhões de pessoas que demandavam
a saída da presidente, esta mobilização iniciou por outra mobilização sobre Passe Livre, iniciada por estudantes em
São Paulo que foi absorvida pela Direita
e Extrema Direita.
Nota:
- Verifica-se a partir de um viés
do MP de Curitiba (PR) direcionando
as investigações a interesses políticos e não policiais ou republicanos e não
há investigação em si, que irá formar a chamada “República
de Curitiba”.
2015
Dilma – Segundo Mandato
Em 01 janeiro de 2015, Dilma iniciou
seu segundo mandato em janeiro de 2015 enfraquecida
em meio a grave crise econômica e política. A crise econômica levou o governo a
tomar medidas impopulares, incluindo cortes bilionários no orçamento e aumento
de impostos.
Dilma – Aceitação do Processo de Impeachment
Em 02 de dezembro de 2015, o processo
iniciou-se com a aceitação, pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (por desavença política
com Dilma, onde Cunha já havia a ameaçado com a aceitação do processo) de uma
denúncia por crime de responsabilidade oferecida em 15
de outubro de 2015 pelo procurador de justiça aposentado Hélio Bicudo e pelos advogados Miguel Reale Júnior e Janaina Paschoal,
2016
Dilma – O Impeachment
Em 2016, a classificação do processo
de Dilma Rousseff como “impeachment ou golpe de Estado” é um tema de intenso
debate e diferentes interpretações. A corrente que considera o evento um golpe
argumenta que não houve crime de responsabilidade, que a deposição foi
orquestrada por forças políticas e midiáticas e que atentou contra a democracia
e o resultado de uma eleição legítima. Por outro lado, a visão de que foi um
impeachment legítimo sustenta que o processo seguiu os ritos constitucionais,
mesmo com as controvérsias jurídicas e políticas, e que o Congresso teve o
poder de afastá-la do cargo.
Dilma – Argumentos
de que foi um Golpe
___Ausência de crime de responsabilidade: - Diversos juristas e o
próprio partido da ex-presidenta defendem que não foram provados os crimes de
responsabilidade exigidos para o impeachment, como as "pedaladas
fiscais", que teriam sido desqualificadas pelo Senado e, posteriormente, arquivadas em instâncias judiciais.
Ação Orquestrada: - A visão
de golpe argumenta que o processo foi uma articulação política e midiática para
retirar do poder uma presidenta eleita, com o objetivo de reverter políticas
sociais e mudar a agenda econômica do país.
Abalo na Democracia: -
Defende-se que o afastamento abriu precedentes para uma desestabilização
política e econômica, o que se manifestou com a ascensão de agendas mais
conservadoras e a reversão de direitos.
Dilma – Argumentos
do Impeachment
Rito Constitucional: - A
defesa de que foi um impeachment legítimo se baseia no fato de que o processo
seguiu os trâmites previstos na Constituição, incluindo a aprovação pela Câmara
e o julgamento pelo Senado, que tem a prerrogativa de julgar crimes de
responsabilidade de presidentes.
Responsabilidade Jurídica: -
Defensores do impeachment argumentam que houve base jurídica para a condenação,
pois o Tribunal de Contas da União
(TCU) já havia condenado as "pedaladas
fiscais", e que o Judiciário apenas arquivou por já existir uma
condenação prévia no Congresso.
Diferença entre Crime comum e de
Responsabilidade: - A defesa de um impeachment legítimo argumenta que a
Constituição define crimes comuns e crimes de responsabilidade, e que o
processo de impeachment se baseia no segundo, sendo a decisão final do
Congresso, diferentemente de um julgamento criminal comum.
Março
Lula – Prisão
Coercitiva
Em 04 de março de 2016, Lula foi alvo de uma condução
coercitiva e levado para prestar depoimento no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo (SP). Lula foi, no total, réu em dez ações penais.
Lula – Antecedentes
___Ainda em 2010, o jornal O Globo fez uma reportagem sobre um
apartamento no Guarujá (SP) que seria do então presidente Lula. Na época, não havia suspeitas de ilegalidade e as obras no imóvel
estavam atrasadas. Anos depois, em 2016, o
ex-presidente Lula passou a ser
investigado por suspeitas de que teria recebido pagamentos oriundos do esquema
de corrupção na Petrobrás,
descoberto na Operação Lava Jato.
Uma dessas investigações envolvia o apartamento do Guarujá.
Trama do
Golpe – Bastidores
___Mesmo com os problemas de gestão ao estilo de Dilma governar e não ceder, a trama iniciou nos bastidores dos
palácios, junto ao vice-presidente Michel
Temer, ex-presidente do PMDB e
grande influência e articulação, primeiro se afastou da presidenta, alegando
espaço, depois a trama, finalmente aguardou o desfecho e o juramento do cargo.
Temer – Primeiro
Vazamento
Em abril de 2016, os vazamentos de
áudios envolvendo o vice-presidente Michel
Temer foram iniciou momentos cruciais: onde ele ensaiava um discurso como
presidente interino antes mesmo do impeachment da presidenta Dilma Roussef ser aprovado, gerando
acusações de "golpe".
1. O Áudio de 2016 (Impeachment):
- Conteúdo: - Temer gravou um pronunciamento de "salvação nacional", falando como se o
impeachment de Dilma já estivesse
aprovado, o que foi visto como antecipação da posse.
- Contexto: - Era um ensaio
para aliados, enviado acidentalmente para um grupo errado, segundo sua
assessoria, mas o vazamento confirmou suas intenções de assumir a presidência.
- Repercussão: - A oposição
acusou Temer de "golpe", enquanto
aliados minimizavam, vendo como um "treino"
ou "vacina" para o futuro
governo.
Dilma –
Comissões de Acessibilidade
___O relatório da comissão foi favorável ao impedimento da presidente Dilma: 38 deputados aprovaram o relatório e 27 se manifestaram contrários.
Em 17 de abril de 2016, o plenário da
Câmara dos Deputados aprovou o
relatório com 367 votos favoráveis e 137 contrários. O parecer da Câmara
foi imediatamente enviado ao Senado,
que também formou a sua comissão especial de admissibilidade, cujo relatório
foi aprovado por 15 votos favoráveis
e 5 contrários.
Dilma –
Abertura do Processo
Em 12 de maio de 2016, o Senado aprovou por 55 votos a 22
Pela abertura do processo, afastando Dilma Roussef da presidência até que o processo fosse concluído.
Neste momento, o vice-presidente Michel
Temer assumiu “interinamente” o cargo de
presidente da República.
Casas – Principais
Votações
Na Câmara quanto à
admissibilidade
___Placar:
- 367 favoráveis
- 137 contrários
- 7 abstenções
- 2 ausentes
Resultado: - processo enviado
para o Senado Federal
No Senado quanto à
admissibilidade
___Placar:
- 55 favoráveis
- 22 contrários
- 2 faltas
Resultado: - Dilma fica afastada do mandato por até 180 dias
Temer assume como presidente
interino
Alegação
Em agosto de 2016, o Senado quanto à cassação da presidente com a alegação de que teria violado
leis orçamentárias.
___Placar:
- 61 favoráveis
- 20 contrários
Resultado: - cassado o
mandato de Dilma Rousseff como
presidente da República
O vice, Michel Temer,
definitivamente empossado presidente
Nota:
- Michel Temer é
empossado Presidente da República, após engajar-se pessoalmente na obtenção de
votos favoráveis para a aprovação do “impeachment” de
sua antecessora.
No Senado quanto à
inelegibilidade
___Placar:
- 42 favoráveis
- 36 contrários
- 3 abstenções
Resultado: - Dilma ainda pode assumir cargos
públicos, inclusive eletivos
Nota:
- Em 2025,
as armações e conchavos de bastidores, se espoem em recentes investigações da Polícia Federal na Carbono Oculto, Banco Marter
e Refit. Associação escusa dos
bastidores da política brasileira, espalhada em todos os setores de decisão
nacional. Uma verdadeira organização criminosa com seus tentáculos em todos os
lugares necessários para garantir suas ações. Por isso era necessário retirar Dilma em 2016
do governo de qualquer jeito (mesmo com ilegalidades) e os demais que
aproveitaram os novos “governos e partidos de centro,
direita e extrema direita”, que fecharam os olhos ou desenvolveram ou
adaptaram legislação para ilegalidades em todos os sentidos.
ANÁLISE
Dez
principais motivos do golpe contra Dilma (e a culpa dos golpistas)
___Em 25 de janeiro de 2021, conforme artigo de Leonardo Attuch, hospedado na Fundação Perseu Abramo:
___O artigo de domingo 24 da
jornalista Miriam Leitão, em que ela
afirma que o Brasil precisa afastar Jair Bolsonaro para que “o impeachment de Dilma não pareça injusto”,
prontamente rebatido pela ex-presidente, nos oferece, mais uma vez, a
oportunidade de refletir sobre a maior canalhice da história do Brasil, que foi
o golpe de 2016, em que um grupo de políticos
extremamente corruptos se uniu para afastar uma presidente honesta, a pretexto
de “combater a corrupção”, numa farsa que
uniu meios de comunicação, juízes, promotores, tribunais superiores,
parlamentares à venda e militares. O único ponto ausente neste processo foi o
interesse nacional.
___Como não havia qualquer intenção nobre, mas apenas ambição, torpeza,
vilania e preconceito, não tinha como dar certo – como, efetivamente, não deu.
Jair Bolsonaro, que hoje provoca uma certa vergonha nos golpistas de 2016, é
apenas a consequência da trama articulada por nomes como Fernando Henrique
Cardoso, Rodrigo Maia, Aécio Neves, José Serra, Michel Temer, Eduardo Cunha,
Moreira Franco, Aloysio Nunes e tantos outros integrantes da elite que destruiu
o Brasil.
___Decidi então listar aqueles que me parecem os dez motivos principais
pelos quais a ex-presidente Dilma Rousseff foi golpeada em 2016 (não
necessariamente por ordem de importância): (1) para que o ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso e o PSDB retomassem o projeto “Petrobrax” de fatiar e vender a Petrobrás aos pedaços,
contemplando também as petroleiras internacionais; (2) para fazer cessar a
política externa de um Brasil soberano e recolocar o país como quintal dos
Estados Unidos; (3) para a bandidagem parlamentar tentar “estancar a sangria”
das investigações de Curitiba, como foi profetizado pelo ex-senador Romero
Jucá, do MDB; (4) para reduzir salários e aposentadorias tanto no setor público
como no setor privado; (5) para desmontar o BNDES e inviabilizar todos os
mecanismos de fomento do estado, esvaziando também os bancos públicos; (6) para
vender Eletrobrás, Correios e outras estatais, como a BB-DTVM, a tubarões do
mercado que ajudaram a financiar o golpe; (7) para saciar a síndrome de
abstinência de poder do DEM e do PSDB após quatro derrotas presidenciais para o
Partido dos Trabalhadores; (8) para saciar a fome por publicidade estatal da
imprensa corporativa, que não aceitava as políticas democratização que vinham
sendo executadas pelos governos progressistas; (9) para a classe média saciar
seus preconceitos e se distanciar dos ex-pobres que se aproximavam perigosamente
nos aeroportos; (10) para Michel Temer, que nunca havia chegado a lugar algum,
nem na política nem na poesia, dizer que sua vida vazia fez algum sentido.
___Entre os motivos do golpe contra Dilma jamais esteve o “combate à
corrupção”, já demonstrado pelas malas de dinheiro da JBS e pela demissão do
ex-juiz Sergio Moro por Jair Bolsonaro (para quem com ele se iludiu), nem a
responsabilidade fiscal, que piorou muito no governo Temer-Bolsonaro, dois
personagens que são parte do mesmo projeto fracassado de “ponte para o futuro”.
Como nenhum dos dez motivos listados acima tem qualquer relação com
crescimento, geração de empregos e desenvolvimento, seus cúmplices e co-autores
tentam agora se desvencilhar deste processo que destruiu não apenas a economia
nacional como a própria ideia de Brasil. Mas, independentemente do que
escrevam, a história lhes será implacável.
IMPEACHMENT DILMA ROUSSEF – Concretizado
GOLPE BRANCO
Em 31 de agosto de 2016, Dilma Rousseff foi afastada do cargo de
Presidente da República após três meses de tramitação do processo iniciado no
Senado, que culminou com uma votação em plenário. Assim, Dilma Rousseff tornou-se a quarta pessoa a exercer o cargo de
Presidente da República a sofrer impeachment no Brasil, depois de Fernando Collor, Café Filho e Carlos Luz.
BRASIL Mudou
___A partir dos fatos acima acontecidos o Brasil irá mudar para pior, na
consequência da “divisão do povo brasileiro”
em castas sociais e políticas “Direita e Esquerda” e
seus extremos, sem “Centro”, arrastando todos
os traumas, mágoas de pessoas e casernas enrustidas.
Nota:
- Mesmo sem analisar o mérito das
partes, as acusações apregoadas para o Impeachment de Dilma não condizem a realidade dos interesses e bastidores,
parecendo tudo ser somente um pano de fundo.
Temer – Empossado
Em 31 de agosto de 2016, Michel Temer é empossado Presidente da
República. Temer se tornou o 37.º Presidente da República. Temer formou uma ampla base aliada no Congresso e conseguiu aprovar algumas
das medidas que considerava essenciais, incluindo o Novo Regime Fiscal e uma Reforma
Trabalhista. Alguns indicadores econômicos apresentaram melhoria, como a
inflação e o crescimento do produto interno bruto, enquanto o desemprego se
manteve com a tendência de aumento do governo da petista.
Lula
bola da vez
Lula –
Denúncia
___O Ministério Público de
São Paulo realizou uma denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acusando-o de ser o proprietário oculto
de um apartamento triplex no Guarujá (SP). Porém, a Justiça de São Paulo enviou os autos do processo para o juiz
federal Sergio Moro, de Curitiba
(PR), por entender que o crime era da esfera federal e não estadual.
Em 14 de setembro de 2016, o Ministério Público Federal denunciou Lula e mais sete pessoas pelos crimes
de corrupção e lavagem de dinheiro.
Em 20 de setembro de 2016, Sergio Moro aceitou a denúncia e Lula tornou-se réu na Operação Lava Jato. A denúncia estava
relacionada a três contratos da Construtora
OAS com a Petrobras e afirmava
que 3,7 milhões de reais em propinas
foram pagas a Lula.
___Após ser denunciado, Lula
fez um discurso se defendendo. No discurso, Lula criticou a denúncia, negou irregularidades e desafiou:
"Provem uma corrupção minha que irei a
pé para ser preso".
Lula –
Procurador Deltan Dallagnol
___Ele também questionou os procuradores da Operação Lava Jato, dizendo que eles teriam dito "não tenho prova, tenho convicção" durante
a apresentação da denúncia. A frase, atribuída ao procurador Deltan Dallagnol, na verdade, não foi
dita. A suposta frase foi uma junção das falas de dois procuradores, em
momentos distintos da apresentação da denúncia.
___Os advogados de Lula entraram
com uma ação contra o procurador Deltan
Dallagnol, pedindo uma indenização por danos morais pela entrevista
coletiva concedida por Dallagnol em 2016 em que ele utilizou um Power Point para explicar a denúncia contra Lula.
Nota:
STJ – Procurador
Deltan Dallagnol
- Inicialmente, Dallagnol foi absolvido na primeira e
na segunda instância, mas quando o processo chegou ao Superior Tribunal de Justiça, o tribunal condenou Dallagnol a indenizar Lula em 75 mil reais. Os ministros da quarta turma do STJ consideraram que Deltan
Dallagnol extrapolou os limites de suas funções como procurador ao utilizar
qualificações desabonadoras da honra e da imagem de Lula na entrevista coletiva, além de utilizar linguagem não
técnica. Os ministros do STJ
consideraram ainda que Dallagnol
imputou a Lula fatos que não
constavam na denúncia do caso do triplex, explicada durante a entrevista
coletiva. No Supremo Tribunal Federal,
a sentença do STJ foi mantida,
condenando Dallagnol a indenizar Lula.
2017
GOVERNO TEMER
___O impeachment de Dilma e o
início do governo de Michel Temer não
foram capazes de estancar a crise política.
Em 2017, Temer foi denunciado duas vezes pela Procuradoria-Geral da República por suspeita de corrupção passiva,
obstrução da Justiça e organização criminosa, “sendo o
primeiro Presidente da República alvo de uma denúncia criminal durante o exercício
de seu mandato”.
Lula –
Condenação
Em 12 de julho de 2017, Sergio Moro, então juiz federal de
primeira instância em Curitiba (PR), condenou Lula a 9 anos e seis meses
de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro na ação penal
envolvendo um triplex no Guarujá (SP).
Processo
Eleitoral
Em outubro de 2017, o Congresso Nacional aprovou as regras
que valeriam para a eleição presidencial de 2018.
Assim como ocorreu nas eleições municipais de 2016,
a campanha eleitoral para o primeiro turno foi reduzida pela metade em
comparação com a campanha de 2014. Se nenhum
candidato obtivesse mais de 50 por cento
dos votos válidos, uma segunda votação com os dois candidatos mais votados
seria realizada no último domingo de outubro, dia 28.
TFR4
___Na segunda instância a pena do ex-presidente Lula foi aumentada para 12
anos e um mês.
Calendário
Eleitoral
Em dezembro de 2017, o Tribunal Superior Eleitoral aprovou o
calendário eleitoral de 2018.
2018
Lula – Mandado
de Prisão
Em 05 de abril de 2018, após rejeição
do habeas corpus preventivo pelo Supremo
Tribunal Federal, o juiz federal Sergio
Moro decretou a prisão do o ex-presidente Lula,
___Lula cumpriu pena em
Curitiba, no prédio da Superintendência
Regional da PF no Paraná. LULA
PRESO – Concretizado
OBJETIVO
PR REALIZADO, LULA FORA DA ELEIÇÃO
Em 07 de abril de
2018, ocorreu a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva, após o
ex-presidente se entregar à Polícia
Federal (PF) no Sindicato dos
Metalúrgicos do ABC em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.
Nota:
- Como os orquestradores queriam, Lula
fora do páreo eleitoral antes das eleições de 2018. A prisão durou até 08 de novembro de 2019, após o Supremo Tribunal Federal (STF) anular a prisão, tendo Lula ficado preso por 1 ano, 7 meses e 1 dia (580 dias)
Rejeição
de Temer
___Com um índice de rejeição superior a 80 por cento em alguns levantamentos realizados na pré-campanha, Michel Temer, que atuou para ser
candidato à reeleição em 2018, acabou desistindo
de se candidatar.
Lula -
Nações Unidas
Em agosto de 2018, o Comitê de Direitos Humanos da Organização
das Nações Unidas solicitou ao
Brasil que fosse garantido ao ex-presidente Lula o direito de exercer seus direitos políticos enquanto
estivesse preso, incluindo o acesso aos membros do seu partido e à mídia e a
participação na eleição presidencial no Brasil em 2018. O Itamaraty questionou
o Comitê e encaminhou a deliberação ao Poder
Judiciário.
ELEIÇÃO 2018 – Concretizado
GOLPE JURÍDICO/CIVIL
___Com Luiz Inácio LULA da Silva
fora do confronto direto pelo processo da Operação
Lava Jato em Curitiba (PR). A
eleição presidencial de 2018 no Brasil foi
realizada em dois turnos.
Em 07 de outubro de 2018, aconteceu o
primeiro turno, e o segundo em 28 de outubro de 2018,
ambos em domingos. Foi a 8.ª eleição
presidencial do país após a promulgação da Constituição Federal de 1988. Foi disputada entre Fernando Haddad (PT) e Jair
Bolsonaro (PSL), que saiu-se como o vencedor.
Processo
Eleitoral
___Fiscalizada pelo Tribunal
Superior Eleitoral, a eleição presidencial de 2018
teve algumas regras diferentes em relação às eleições anteriores, como a
vedação do financiamento empresarial aos candidatos e uma campanha eleitoral
com período menor. A internet ganhou mais espaço nas eleições com a liberação
da arrecadação por ferramentas de financiamento coletivo (conhecidas também
como vaquinhas). O TSE aprovou o
calendário eleitoral das eleições de 2018,
definindo 16 de agosto como início da campanha
eleitoral. Com treze candidatos confirmados pelas convenções partidárias, esta
eleição teve o maior número de candidatos em 29 anos.
___Durante o primeiro turno, o horário eleitoral no rádio e na televisão
duraria 35 dias, com dois blocos
diários de 12 minutos e meio cada.
Para a definição do tempo no horário eleitoral para cada candidato, o Tribunal Superior Eleitoral usou um
cálculo no qual 10 por cento deste
tempo era dividido igualmente entre todos os candidatos e os demais 90 por cento de acordo com a bancada de
deputados federais eleita na Câmara dos Deputados em 2014.
No segundo turno, o horário eleitoral teria dois blocos diários de dez minutos, divididos de forma
igualitária. A campanha do 2º turno
foi entre os dias 12 e 26 de outubro. O
impulsionamento de publicações na internet foi autorizado e a propaganda por
telefone foi proibida.
___Os candidatos à presidência tinham um limite de gastos de 70 milhões de reais no primeiro turno e
35 milhões no segundo; para efeitos
de comparação, na eleição anterior as campanhas de Dilma e Aécio gastaram 318 e 216 milhões de reais, respectivamente. Os candidatos poderiam
financiar suas campanhas por meio do autofinanciamento, de um fundo eleitoral,
dividido conforme o tamanho dos partidos políticos no parlamento, e por doações
de pessoas físicas. Ao todo, a verba pública alocada ao financiamento de Campanha em 2018 foi de R$1,3 bilhões.
Temer –
Terceira Denúncia
Em 19 de dezembro de 2018, uma
terceira denúncia criminal contra o presidente Michel Temer, como resultado do chamado "Inquérito
dos Portos", com a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, denunciando Temer e outros cinco investigados (os
empresários Antônio Celso Grecco e Ricardo Conrado Mesquita, sócios (...).
2019
Bolsonaro – Empossado
Em 01 de janeiro de 2019, o eleito a
presidência Jair Messias Bolsonaro candidato
e seu vice Gal. Mourão foram
empossados para um mandato de quatro anos.
Operação
Spoofing
Maior
Escândalo Judiciário do Mundo Democrático
Em 10 de fev. de 2021, em entrevista
à CNN, Marco Aurélio Carvalho, advogado e integrante do Grupo Prerrogativa, falou sobre a Operação Spoofing e a decisão do Supremo Tribunal Federal de
compartilhar mensagens obtidas através de um hacker de conversas entre
procuradores da Operação Lava-Jato
de Curitiba e o juiz do caso, Sergio
Moro.
Lula –
Decisão STJ
Em abril de 2019, numa decisão
unânime, a 5.ª Turma do STJ manteve condenação de Lula e reduziu a pena por corrupção
passiva e lavagem de dinheiro de 12 anos
e 1 mês para 8 anos e 10 meses de
prisão. O caso do triplex foi investigado no âmbito da Operação Lava Jato.
#Vazajato
Legalidade
dos arquivos e Ilegalidades de uso
Efeito
colateral da Operação Spoofing
Em 23 de julho de 2019, terça-feira,
frente às graves revelações publicadas pelo The Intercept Brasil houve apressada resposta institucional aos
vazamentos por meio da Operação Spoofing,
que foi deflagrada pela Polícia Federal,
agora sob o comando do ex-juiz titular da Lava Jato, atualmente ministro da
Justiça.
___Tratando acerca da banalidade do mal, Hannah Arendt, afirma que "[...]
mesmo no tempo mais sombrio temos o direito de
esperar alguma iluminação, e que tal iluminação pode bem provir, menos das
teorias e conceitos, e mais da luz incerta, bruxuleante e frequentemente fraca
que alguns homens e mulheres, nas suas vidas e obras, farão brilhar em quase
todas as circunstâncias e irradiarão pelo tempo que lhes foi dado na terra
(idem, ibidem)" (1987. P. 7).
___O fato é que as publicações do The
Intercept Brasil não tiveram o efeito de conduzir massas arrebatadoras às
ruas, mas certamente causaram indignação e feriram profundamente tanto a redoma
de "pureza" posta a cercar a Lava Jato quanto o orgulho de seus
membros e até a imagem do então ministro da Justiça.
___Logo, a chamada #vazajato,
encabeçada pelo jornalista Glenn
Greenwald, trouxe ao conhecimento do grande público uma série de dados
constrangedores, os quais por si só foram capazes de ratificar o discurso do
próprio Sr. Luiz Inácio Lula da Silva
e de sua defesa de que houve perseguição política, premeditação e articulação
entre o Ministério Público Federal
em Curitiba (PR) e o então juiz responsável pela operação Lava Jato ao longo do processo penal Sergio Moro.
___As matérias publicadas pelo The
Intercept Brasil apresentam mensagens do aplicativo Telegram para provar que o então magistrado teria atuado de forma
coordenada com o Ministério Público
para condenar criminalmente o Sr. Luiz
Inácio Lula da Silva e inviabilizar a candidatura do mesmo à presidência da
República, o que teria aberto caminho para a eleição do Sr. Jair Bolsonaro.
___De outro norte, é consenso que uma operação policial deflagrada a
partir de uma prévia investigação e com autorização judicial é lícita, bem
como, em regra, as provas colhidas no curso das investigações são igualmente
legais, nesse sentido, prevalece a máxima de que o "ordinário
prescinde de provas e o extraordinário é que deve ser provado".
___Portanto, frente às graves revelações publicadas pelo The Intercept Brasil houve apressada
resposta institucional aos vazamentos por meio da Operação Spoofing, que foi deflagrada pela Polícia Federal, agora sob o comando do ex-juiz titular da Lava Jato, atualmente ministro da
Justiça, o que causa estranheza, uma vez que o ex-juiz está no centro das
denúncias feitas pela #vazajato.
___É provável que essa mesma pressa tenha sido a causa de um erro
estratégico, isso porque a Operação
Spoofing tinha como objetivo a busca e apreensão, prisão e quebra de sigilo
bancário e fiscal dos supostos cibercriminosos, e esse é o ponto!
___Pois, a partir do momento que uma investigação policial foi
deflagrada para apreender equipamentos, dados e prender pessoas, presume-se que
todo o conteúdo apreendido é prova lícita, pois deriva de atividade policial
que teve autorização judicial para ser levada a termo.
___Por conseguinte, tais provas podem servir como documentos novos e
provas emprestadas para outros processos, pois admitir o contrário seria
reconhecer a ilegalidade da Operação
Spoofing e consequentemente seria necessário apurar as responsabilidades de
quem a deflagrou.
___Assim, mesmo que o The
Intecept Brasil tenha tido acesso aos dados, conteúdos e publicado antes da
operação policial, isso é irrelevante processualmente, posto que no processo
penal brasileiro busca-se a verdade real, dessa maneira, uma vez que houve
inquérito policial posterior e o conteúdo e dados publicados jornalisticamente
tenham sido igualmente apreendidos no âmbito da referida operação policial,
operou-se o conglobamento e deve-se aplicar o “in
dubio pro reo”.
___Nesse sentido, seria impossível eleger apenas as normas mais
benéficas de cada fonte do direito para sustentar a licitude das provas no
âmbito da Operação Spoofing e a
ilegalidade das mesmas provas em qualquer outro processo crime.
___O Sr. Luiz Inácio Lula da
Silva e sua defesa alegaram, inclusive publicamente, que o então magistrado
titular da Lava Jato, Sergio Moro, agia de forma a beneficiar
os membros do Ministério Público Federal e com propósitos nada
republicanos na condução do processo penal, assim, frente à prova, ainda que
fosse considerada ilícita, de que houve tal articulação, deve-se aplicar o
princípio da autodeterminação coletiva, pois a sentença está viciada por
nulidade absoluta.
___E nem se confunda as prerrogativas dadas ao magistrado no art. 156 do CPP com o poder acusatório, pois este é restrito ao Parquet, enquanto as disposições do
artigo acima se reservam ao dever de cautela facultado ao juiz apenas para
buscar esclarecimentos quanto a pontos relevantes no curso do processo penal,
seja em produção antecipada de provas, seja para dirimir dúvida, sempre visando
a verdade real e não meros indícios, já que a condenação não poderia ser
lastreada unicamente em indícios, por mais fortes ou robustos que fossem, isso
porque o in dubio pro reo prevalece nesses casos.
___É dizer, na senda de conter "vazamentos",
acabou-se por legitimá-los, primeiro moralmente, depois legalmente.
___Nesse caso, a cláusula constitucional do “due
process of law” aplica-se de forma invertida, uma vez que há
prova/indício de que o próprio Estado-Juiz
é que violou os limites ético-jurídicos que restringem a atuação do Estado em
sede de persecução penal, pois exigir o contrário atentaria contra o primado da
paridade de armas, caracterizando verdadeiro “venire”
contra “facto proprium” e
consequentemente mitigando o contraditório e a ampla defesa.
___Destarte, impossível rechaçar a eficácia da prova ilícita capaz de
atestar a nulidade processual, especialmente frente à condição hipossuficiente
do réu diante do arcabouço acusatório estatal, ainda mais se houver indícios ou
provada a articulação entre o juiz e o Ministério
Público, o que se revela de natureza ilegítima e pérfida.
___Assim, mesmo que se considerasse ilícita a origem da prova, porque
advinda da invasão ilegal de equipamentos eletrônicos, isso não tem o condão de
afastar a realidade objetiva, que é a ocorrência ilícita consumada com o ato de
articulação/coordenação entre um magistrado e o Ministério Público para condenar um réu, seja por qual motivação
for, estaria caracterizada a violação do devido processo legal, o que se
reveste em favor do réu.
___Por fim, é inevitável a conclusão de que as provas colhidas na Operação Spoofing são lícitas e que
estas mesmas provas caso obtidas pela defesa de réus interessados podem ser
utilizadas no exercício do contraditório e da ampla defesa em qualquer outro
processo, independentemente da fonte de onde as retiraram, com a ressalva de
que as provas usadas estejam contidas no inquérito policial não há dúvidas de
sua licitude, pois derivam de operação policial autorizada judicialmente,
embora também se admita que por força da realidade objetiva e da aplicação inversa
da cláusula constitucional do “due processo of law”
seja possível a utilização de prova ainda que ilícita pelo réu para
atestar nulidades contidas na persecução penal, de acordo com a realidade de
cada caso concreto.
Por Gustavo Muniz Lágo
https://www.migalhas.com.br/depeso/312941/da-legalidade-dos-arquivos-da--vazajato--um-efeito-colateral-da-operacao-spoofing
Década de 20
2021
Bolsonaro – CRONOLOGIA DA TENTATIVA DE GOLPE
SEGUNDO PGR
Em março de 2021, pode ser
considerado um mês chave para que fosse colocado em marcha um plano de ruptura
da ordem democrática e de concretização de um golpe de Estado, pelo presidente
da república Jair Messias Bolsonaro
e seus aliados, segundo denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Lula –
Decisão STF
Em 08 de março de
2021, o ministro do STF Edson Fachin
anulou as condenações de Luiz Inácio Lula
da Silva relacionadas à Operação
Lava Jato, por considerar que o Tribunal
Regional Federal da 4.ª Região
em Curitiba (PR), julgou o processo fora da área de jurisdição daquela corte,
utilizando como base uma decisão anterior da segunda turma do STF no caso Transpetro. Foi determinado que o processo fosse julgado em
Brasília. Com isso Lula recuperou
seus direitos políticos e os processos judiciais contra ele foram transferidos
para a Seção Judiciária do Distrito
Federal, do Tribunal Regional Federal da
1.ª Região.
Nota:
- Posteriormente o caso do triplex do
Guarujá (SP), que levou a prisão de Lula,
foi arquivado pela justiça.
___Lula vinha sendo apontado como
principal adversário do então presidente Jair
Bolsonaro na eleição presidencial do ano seguinte e pesquisas eleitorais
mostravam o petista à frente.
___A
situação política mobilizou o entorno de Bolsonaro,
que percebeu “a
necessidade de pronta arregimentação de ações coordenadas contra a
possibilidade temida que se avultava. Começaram, então, práticas de execução do
plano articulado para a manutenção do poder do Presidente da República não
obstante o resultado que as urnas oferecessem no ano seguinte”, diz o
procurador-geral da República, Paulo
Gonet, na denúncia apresentada à Justiça.
Bolsonaro – Desobediência
___Ainda
em março de 2021, poucos
dias depois de Lula ter recuperado
sua elegibilidade, o grupo de apoio a Bolsonaro,
que viria a se tornar o núcleo da organização criminosa acusada de crimes
contra as instituições democráticas pela PGR,
passou a cogitar de o então presidente da República passar a afrontar e a
desobedecer decisões do STF.
___Nas
semanas seguintes, o grupo passaria a defender a ideia de deslegitimar o
processo eleitoral brasileiro e a possível vitória do adversário de Bolsonaro.
“O grupo registrou a ideia de ‘estabelecer um discurso sobre
urnas eletrônicas e votações’ e de replicar essa narrativa ‘novamente e constantemente’, a fim de deslegitimar possível resultado eleitoral que
lhe fosse desfavorável e propiciar condições indutoras da deposição do governo
eleito”, destaca a denúncia.
Críticas às urnas
___O
plano de insurreição demorou cerca de três meses para ser colocado em prática.
Em 29 de julho de
2021, Jair Bolsonaro fez uma
transmissão ao vivo, pela internet, das dependências do Palácio do Planalto, em que criticava o sistema eletrônico de
votação e exaltava a atuação das Forças
Armadas.
___A
partir desse momento, segundo a PGR,
Bolsonaro passaria a fazer
pronunciamentos públicos cada vez mais agressivos, com ataques diretos aos
poderes constituídos, com o objetivo de causar indignação e revolta em seus
apoiadores. O objetivo final, segundo a denúncia, seria tornar aceitável e
esperável o recurso à força caso Lula vencesse
as eleições de 2022.
Em 10 de agosto
de 2021, em sessão, mesmo com a decisão da Câmara
dos Deputados, de manter as sistemáticas de votação digital e de apuração
dos votos, Bolsonaro insistiu nos
ataques ao “sistema
eleitoral”.
Em 07 de Setembro
de 2021, durante os festejos, Bolsonaro
fez um discurso, em São Paulo, no qual “deu a conhecer seu propósito de não mais se submeter às
deliberações provenientes da Suprema Corte, confiado no apoio que teria das Forças Armadas”. A essa
altura, segundo a PGR, o grupo ao redor do então presidente já tinha traçado
uma estratégia que incluía um plano de fuga de Bolsonaro, caso lhe faltasse apoio para o golpe de Estado.
“[Quero] dizer
àqueles que querem me tornar inelegível em Brasília: só Deus me tira de lá. E
aqueles que pensam que, com uma caneta, podem me tirar da presidência, digo uma
coisa, para todos nós. Temos três alternativas, em especial para mim: preso,
morto ou com vitória. [Quero] dizer aos canalhas que eu nunca serei preso”, disse Bolsonaro em seu discurso, na ocasião.
___Com
o passar dos meses e com a aproximação das Eleições
de 2022, os ataques ao sistema eleitoral foram intensificados, com
acusações falsas e manipuladas sobre supostas vulnerabilidades das urnas eletrônicas
a fraudes. Todos os ataques à legitimidade foram sempre respondidos
oficialmente, por autoridades judiciais, com argumentos técnicos, mas isso
continuou sendo ignorado pelo grupo.
Bolsonaro – Reuniões
Em 05 julho de
2022, com Lula como favorito à
disputa presidencial, Bolsonaro teria
convocado uma reunião ministerial para incitar ataques às urnas e a difusão de
notícias falsas contra seu adversário. No encontro com os ministros, segundo a
denúncia do Ministério Público, “falou-se inequivocamente em
‘uso da força’ como alternativa a ser implementada, se necessário”.
___General
Augusto Heleno, um dos acusados de
integrar o núcleo golpista, chegou a dizer na reunião que, o que tivesse que
ser feito, teria que acontecer antes da eleição. “Se tiver que virar a mesa, é antes das eleições”.
Em 18 de julho de
2022, o então presidente da República convocou embaixadores e representantes
diplomáticos de outros países para uma reunião em que fez acusações sobre as
supostas fraudes que, segundo Bolsonaro,
seriam cometidas nas eleições daquele ano.
Bolsonaro – Ações
___Além
de divulgar falsas informações sobre o sistema eleitoral, segundo a PGR, o grupo tentou intervir
diretamente no processo eleitoral, já que, durante o segundo turno da eleição.
Em 31 de outubro
de 2025, policiais rodoviários federais fizeram operações em estradas para
dificultar o acesso de eleitores a zonas eleitorais onde Lula obtivera mais votos no primeiro turno.
___Os
locais de operação da Polícia Rodoviária
Federal (PRF) foram definidos previamente, a partir de mapeamentos feitos
por órgãos de segurança vinculados Ministério
da Justiça e mobilizados de forma ilícita para a tarefa, de acordo com a PGR.
___Com
a vitória de Lula, as críticas ao
sistema eleitoral persistiram, mesmo depois de relatório de fiscalização das
urnas, feito pelo Ministério da Defesa,
assegurar que nenhuma falha foi encontrada no sistema de urnas eletrônicas.
___A
ideia de manter as críticas ao sistema eleitoral depois da derrota de Bolsonaro tinha o propósito de estimular
a militância do então presidente da República, cujo mandato se encerraria em 31 de dezembro de 2022, a se
manter acampada, em frente aos quartéis, pedindo intervenção militar contra a
posse do candidato adversário vitorioso.
___O
núcleo golpista pretendia que a mobilização da militância sensibilizasse as Forças Armadas, em especial, o Exército, para que impusessem um regime
de exceção, impedissem a posse de Lula
e garantissem a permanência do candidato derrotado na Presidência da República.
Bolsonaro – Posse de Lula
Em novembro de
2022, poucas semanas antes da posse de Lula,
oficiais com treinamento de forças especiais, chamados de kids pretos,
reuniram-se para tentar ganhar apoio da alta cúpula do Exército. Além de pressionar o comando da força armada, o grupo
articulou-se para atacar, nas redes virtuais, os oficiais generais que se
opunham ao golpe em curso.
___Também
foram concebidas minutas de atos executivos que formalizassem a quebra da ordem
constitucional, que incluíam, entre suas medidas, a prisão do então presidente
do STF, ministro Alexandre de Moraes.
___Segundo
a PGR, o então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira de Azevedo,
também se reuniu com os comandantes das três forças, para angariar apoio ao
golpe, mas só teria tido a adesão do representante máximo da Marinha, almirante
Almir Garnier Santos.
Bolsonaro – Assassinatos
___Não
bastassem as campanhas de notícias falsas para desacreditar o sistema
eleitoral, as afrontas a autoridades judiciais, as difamações contra militares
que não apoiavam a insurreição e a articulação para executar o golpe, os
membros da organização criminosa também teriam estruturado, dentro do Palácio do Planalto, segundo a PGR, um plano, chamado de Punhal Verde-Amarelo, para assassinar Lula, seu vice, Geraldo Alckmin, e Alexandre
de Moraes.
“O plano foi
arquitetado e levado ao conhecimento do Presidente da República, que a ele
anuiu, ao tempo em que era divulgado relatório em que o Ministério da Defesa se via na contingência de
reconhecer a inexistência de detecção de fraude nas eleições”, escreve a
PGR, na denúncia apresentada.
Em 15 de dezembro
de 2022, os preparativos para os assassinatos foram completados e só não foram
levados à cabo, porque não conseguiram cooptar, na última hora, o então
comandante do Exército.
___A
denúncia do Ministério Público
descreve que, depois de todos esses passos malfadados, a “frustração dominou os
integrantes da organização criminosa”. Mas, mesmo assim, não desistiram dos
planos de manter Bolsonaro no poder.
Bolsonaro – Manifestações 08/01
Em 08 de janeiro
de 2022, em Brasília, manifestações contra o novo presidente da República, Lula, já empossado, tornaram-se a
grande esperança de concretizar o golpe.
“A organização
incentivou a mobilização do grupo de pessoas em frente ao Quartel General do Exército em Brasília, que pedia a
intervenção militar na política. Os participantes daquela jornada desceram toda
a avenida que liga o Setor
Militar Urbano ao
Congresso
Nacional,
acompanhados e escoltados por policiais militares do Distrito Federal”, afirma a
denúncia.
___As
manifestações ficaram marcadas por invasões e vandalismo às sedes dos Três Poderes e têm sido encaradas, em
diversos processos penais, pelo STF,
como tentativa de golpe de Estado.
___De
acordo com a PGR, o golpe, que vinha
sendo alinhavado e posto em curso desde meados de 2021, só não foi concretizado porque o
comandante do Exército e comandantes
regionais da Força Armada decidiram
não aderir e, portanto, se manter em seu papel constitucional.
Agencia Brasil – 35 Anos
2022
Lula – ONU
No dia 28 de abril de 2022, o Comitê
de Direitos Humanos da ONU publicou a conclusão de uma análise na qual
apontou que houve parcialidade por parte de Sergio Moro no julgamento dos processos contra Lula. Segundo a decisão do Comitê, Lula teve seus direitos políticos violados em 2018
após ter sido impedido de participar das eleições presidenciáveis naquele ano e
determinou que o Brasil apresentasse as medidas adotadas para reparar danos
causados ao ex-presidente em até 180
dias, e a prevenir que outras pessoas não sejam alvos de processos
semelhantes no futuro. Lula foi o
primeiro ex-presidente do Brasil a ser preso por causa de uma condenação por
crime comum. Antes dele outros seis ex-presidentes do país foram presos: - o gaúcho Hermes
da Fonseca, o paulista Washington
Luís, o mineiro Artur Bernardes,
o potiguar Café Filho, o
mato-grossense Jânio Quadros e o
mineiro Juscelino Kubitschek, todos
por motivos políticos explícitos.
Bolsonaro
– Fragilizar o Sistema Eleitoral
Em julho de 2022, o então presidente Jair Bolsonaro colocava em questão a
lisura das eleições e conclamava seus ministros a "fazer
alguma coisa antes" do resultado
das urnas, que já estaria "pintado".
Bolsonaro
– Nova Trama
___Nos sete meses seguintes, e principalmente após a derrota de Bolsonaro para Lula na eleição, houve acampamentos em frente a quartéis pedindo
intervenção militar, bloqueios de estradas e tentativa de atentado a bomba no Aeroporto de Brasília, torres de alta
tensão derrubadas do sistema nacional.
2023
BRASIL Democracia Salva
08 DE JANEIRO – Frustrado
TENTATIVA GOLPE CIVIL/MILITAR
Em 08 de janeiro de 2023, desde o último ano do governo (2022)
de Jair Bolsonaro (PL) e os
primeiros dias de 2023, que culminaram no ataque de seus
apoiadores a Brasília (DF), no início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), estão
sendo tratados pela Polícia Federal
(PF) e por diversos especialistas como uma tentativa de golpe de Estado
no Brasil.
___A denúncia criminal foi apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em 18
de fevereiro, e a partir desta terça-feira (25/03), cinco ministros do Supremo Tribunal Federal (STF)
decidirão se o ex-presidente Jair
Bolsonaro e outros sete acusados se tornarão réus por tentativa de Golpe de
Estado e outros crimes.
___Segundo investigações da Polícia
Federal (PF) reveladas em novembro de 2022,
alguns militares teriam tramado, no final de 2022,
além do golpe de Estado, um plano para assassinar Lula, seu vice, Geraldo
Alckmin, e o ministro do Supremo
Tribunal Federal (STF) Alexandre de
Moraes.
___Bolsonaro negou sua
participação em qualquer plano golpista e disse que "ninguém
vai dar golpe com general da reserva e mais meia dúzia de oficiais. É um
absurdo o que estão falando".
Condenação
Em setembro de 2025, pela primeira vez a justiça livre
através do STF, democraticamente
diante de acesso de todos os acusados ao devido processo legal, amplamente
coberto pela imprensa, resultando na condenação militares da mais alta patente
por tentativa de golpe, após a proclamação da República. Tentativas recentes,
como a de 2022-2023, foi julgada e condenada
pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Paralelamente, há um aumento nos golpes financeiros do dia a dia,
principalmente por meios digitais, como a clonagem de cartões e fraudes via
aplicativos de mensagem.
- Tentativa de 2022-2023: - Denunciada
e julgada pelo STF, envolveu um
plano que incluía a detenção de autoridades, o fechamento de instituições e a
deposição do presidente eleito. Em setembro de 2025,
o STF condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros réus por essa
tentativa de golpe.
- A discussão sobre Anistia aos
participantes do ataque à praça dos Três
Poderes em 09/01/22 ecoa um tema que é
recorrente na história do Brasil: - a dos movimentos, em geral protagonizados
por militares, que buscam desestabilizar ou derrubar o governo, e as
iniciativas políticas para anistiar seus líderes e participantes. Houve dezenas
de leis de anistia aprovadas ao longo da história do Brasil, por diferentes
motivos. Para destrinchar esta página polêmica e dolorosa da história
brasileira, o podcast Prato do Dia
recebeu o professor e historiador Paulo
Ribeiro da Cunha.
Prisão
Núcleo 1
Em 25 de novembro de 2025, em
Brasília (DF), as 14h30, o ministro Alexandre
de Moraes do STF encerrou o processo da Ação
Penal (AP) 2668 contra o Núcleo 1
ou “Duro” e determinou a prisão do condenados Jair Messias Bolsonaro, já estava detido preventivamente, Augusto Heleno, ex-ministro do GSI
(Gabinete de Segurança Institucional), Paulo
Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, e Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil e
candidato a vice na chapa de Jair Bolsonaro (PL) em 2022
— que já estava detido preventivamente —, são integrantes do Núcleo 1 da trama golpista.
Nota:
- Em 22 de
novembro, Moraes manda Bolsonaro cumprir pena na Superintendência da PF por trama golpista
___O STF (Supremo Tribunal
Federal) declarou o fim do processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seis aliados, incluindo generais. O ministro Alexandre de Moraes decidiu que Bolsonaro cumpra sua pena na Superintendência da PF.
Condenações
– O Que Aconteceu
___Alexandre Moraes entendeu
que recursos eram apenas protelatórios e encerrou o processo. O relator
decretou o cumprimento imediato da pena de Bolsonaro.
Ele vai ficar na Superintendência da PF,
onde já cumpre prisão preventiva desde sábado.
___Torres foi preso e vai
para o Presídio da Papuda na “Papudinha”.
Moraes determinou que o ex-ministro Anderson Torres seja preso no 19º Batalhão de Polícia Militar, na Papuda, em Brasília. Os advogados
haviam pedido que ele cumprisse pena na Superintendência
da PF ou no Batalhão de Aviação
Operacional da corporação.
___Moraes não decide sobre Ramagem. O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) está foragido
nos EUA. "Considerando que o réu encontra-se
foragido e fora do território nacional, determino a expedição do mandado de
prisão e inserção no Banco Nacional do Monitoramento de Prisões (BNMP)",
escreveu o ministro na decisão.
___Almirante tem recurso
negado e também é preso. Almir Garnier
vai ficar na Estação Rádio da Marinha,
em Brasília, onde fará amanhã às 13h00 sua
audiência de custódia. Moraes disse
que os embargos infringentes eram "incabíveis",
já que, conforme entendimento de sete anos no STF, são necessários ao menos dois votos no sentido contrário ao da
maioria. Ele citou o caso do ex-presidente Fernando
Collor de Mello, já usado como exemplo anteriormente.
___Cid já cumpre pena em
regime aberto. Como fechou um acordo de delação premiada, Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, cumpre sua pena de dois anos em regime aberto. A sua
defesa, inclusive, já pediu que seja declarada a extinção da punição por ele
ter cumprido esse tempo com medidas cautelares. Moraes ainda não decidiu sobre isso.
___Moraes também pediu uma
sessão virtual ao presidente da Primeira
Turma. A solicitação feita pelo ministro a Flávio Dino é de praxe e serve para que os demais integrantes do
grupo analisem a decisão monocrática do relator. Ele pediu uma data "sem prejuízo do início imediato do cumprimento da
pena".
___As defesas de Bolsonaro e Ramagem não apresentaram novos embargos
de declaração. O prazo para encaminhar o recurso terminou ontem, às 23h59. Com
isso, o STF pôde declarar o chamado
trânsito em julgado das condenações, quando se entende que não mais há
possibilidade de recurso contra a sentença.
___Certifico que os acórdãos publicados no dia 18
de novembro de 2025 transitaram em julgado em 25
de novembro de 2025, para os réus Alexandre
Ramagem Rodrigues, Anderson Gustavo
Torres e Jair Messias Bolsonaro.
Ofício assinado pela Secretaria
Judiciária do STF hoje, 25 de novembro de 2025.
___Defesa de Bolsonaro pediu
domiciliar, mas Moraes ainda não
avaliou isso. No primeiro pedido dos advogados, ele avaliou que o pedido estava
prejudicado por ele ter decretado a prisão preventiva.
___A defesa de Bolsonaro vai
apresentar mesmo assim os chamados embargos infringentes. O recurso deve ser
enviado ao STF até sexta-feira. Eles
foram procurados hoje, após a decisão do STF,
mas ainda não se manifestaram. O espaço segue aberto. À Folha, Celso Vilardi
criticou Moraes: "A defesa está sendo tratada como algo menor, e isso
é ruim para o sistema jurídico".
Condenado por ser o líder da tentativa de golpe. O ex-presidente foi
condenado pela Primeira Turma da
Corte a 27 anos e três meses de
prisão em regime fechado, dos quais 24
anos e 9 meses serão de reclusão, enquanto 2 anos e 6 meses serão de detenção. Ele foi acusado pela PGR (Procuradoria-Geral da República)
de ser líder de uma organização criminosa que tentou um golpe de Estado.
___Embargos infringentes servem para questionar decisões tomadas sem
unanimidade. É o caso de Bolsonaro,
que foi condenado pela Primeira Turma
por 4 votos a 1. Moraes já afastou
essa possibilidade na decisão de hoje.
___Não mudam decisões sobre visitas e médicos
___Com a manutenção de Bolsonaro
na PF, não muda o regime de
visitação. As visitas deverão ser autorizadas por Moraes. Apenas os advogados e a equipe médica do ex-presidente
poderão entrar na PF sem autorização.
___Moraes determinou também a
manutenção de atendimento médico em tempo integral para Bolsonaro. "Seja garantido o acesso
da equipe médica que acompanha o tratamento de saúde do réu, independentemente
de prévia autorização judicial."
Perdas
dos Condenados
___Moraes comunicou Motta sobre fim do processo de Ramagem. O ministro avisou ao
presidente da Câmara, Hugo Motta
(Republicanos-PB), sobre a condenação para que ele proceda com a perda imediata
de mandato do deputado federal. Motta ainda
não se manifestou sobre isso.
___Ramagem e Torres também perdem cargos. Após a PF ser avisada do final do processo, Ramagem e Torres devem perder oficialmente seus cargos de delegado na
corporação.
___Heleno e Paulo Sérgio foram para celas em
quartel. Homens do Exército acompanharam nesta tarde os generais Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira para o Comando
Militar do Planalto. Segundo apurado, os dois foram de forma espontânea
para a instalação militar.
___O Comando Militar do Planalto
fica no centro de Brasília, possui instalações novas e como todo ambiente
militar é cercado por segurança. É lá que os dois devem cumprir as condenações
de 21 e 19 anos, respectivamente, por tentativa de golpe de Estado.
___As celas adaptadas, garantem os militares, são sem luxo. O estilo
simples e que mantém a conduta espartana, marcada pela disciplina militar.
___Braga Netto fica na
unidade militar no Rio de Janeiro. Ele está preso preventivamente no local
desde dezembro do ano passado.
- Autor de Passados
Presentes: O Golpe de 1964 e de outros livros sobre o período, o
historiador vê características em comum entre os fatos recentes e eventos
passados — em especial, o envolvimento de militares de alta patente e de
políticos poderosos.
- Para Rodrigo Patto Sá Motta, coordenador do Laboratório de História do
Tempo Presente da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), os
acontecimentos de 2022 lembram outro momento da
história.
"Guardadas
as devidas proporções, essa mistura de marcha com protesto e atitudes de
vandalismo lembrou a Marcha sobre Roma [evento em que os fascistas tomaram o
poder na Itália, em 1922]."
- Autor de Passados
Presentes: - O Golpe de 1964 e de outros livros sobre o período, o
historiador vê características em comum entre os fatos recentes e eventos
passados — em especial, o envolvimento de militares de alta patente e de
políticos poderosos.
"Mais importante do que buscar
comparações na história é chamar atenção sobre a gravidade desse episódio e a
necessidade de que ele seja devidamente julgado, para que não ocorra
novamente", defende, acrescentando que o momento atual pode trazer uma
"virada na história da relação dos militares com a política do
Brasil".
"Há 135 anos, eles têm se imaginado como figuras-chave da nossa
política, como atores estratégicos. Fizeram isso alegando que tinham direito,
porque eram muito bem preparados. É o momento de superarmos essa
retórica."
___Sá
Motta argumenta que o governo Bolsonaro demonstrou que esse suposto
preparo acima da média não é realidade.
"Os militares mostraram sua incompetência
ao gerir o país, cometeram vários equívocos, inclusive criminosos, no caso da
pandemia, e ainda assim queriam permanecer no poder à força. Julgamento e
punição são essenciais, até porque eles nunca foram punidos, especialmente os
de alta patente."
___O historiador lembra que houve vários
momentos da história brasileira em que militares tentaram ou conseguiram dar um
golpe de Estado — conheça quatro dos mais emblemáticos no último século.
Golpes
Fracassados
___De fato, a história do Brasil tem bons exemplos de tentativas de
golpe fracassadas — muitas delas com pouca adesão de setores das Forças
Armadas. Investigações recentes trazem à tona semelhanças com esses episódios.
___Para David Maciel,
professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), as evidências que têm surgido
das investigações que apontam para uma tentativa de golpe em pleno século XXI, entre 2022
e 2023 indicam alguns ineditismos, em comparação
com outros episódios históricos.
"Nenhuma tentativa frustrada de golpe se
caracterizou como um autogolpe, ou seja, quando o próprio governo de plantão
busca se perpetuar ao romper com a legalidade vigente", diz Maciel, autor do livro A Argamassa da
Ordem - Da Ditadura Militar à Nova República.
Tentativas
de Golpe
Golpe de 30 de Julho (1832)
Cabanada (1832–4)
Revoltas liberais, suprimidas pelo então Barão de Caxias (1842)
Revolução Praieira (1848–50)
Primeira Revolta da Armada (1891)
Segunda Revolta da Armada (1893–4)
Revolta da Escola Militar da Praia Vermelha, durante a Revolta da Vacina
(1904)
Bombardeio de Manaus (1910), tentativa de golpe no estado do Amazonas
força a renúncia do Governador Antônio Clemente Ribeiro Bittencourt. No
entanto, a intentona é frustrada pelas Forças Federais, que reconduzem o
governador ao cargo sob ordens do Presidente Nilo Peçanha
Revolta dos sargentos (1915)
Revolta dos 18 do Forte de Copacabana (1922)
Revolução Constitucionalista (1932)
Intentona Comunista (1935)
Levante Integralista (1938)
Manifesto dos Generais (1954), estopim do suicídio de Getúlio Vargas
Conspiração contra a posse de JK, frustrada pelo Movimento de 11 de
Novembro (1955)
Revolta de Jacareacanga (1956)
Revolta de Aragarças (1959)
Veto à posse de João de Goulart, frustrado pela Campanha da Legalidade
(1961)
Revolta dos sargentos (1963)
Planejamento de golpe de Estado no Brasil após as eleições (2022)
Ataques às sedes dos Três Poderes (2023)
Congresso
Nacional
___É necessário destacar que, fora os golpes de Estado, o Parlamento ou Congresso foi ainda fechado ou dissolvido outras 14 vezes:
- Dissolvido 11 vezes pelo imperador Dom Pedro II, usando do Poder
Moderador, no Segundo Reinado,
convocando novas eleições parlamentares em seguida;
- Fechado outras três vezes pelos presidentes Castelo Branco (1966), Costa
e Silva (1968) e Ernesto Geisel
(1977), com o uso de poderes dados pelo Ato
Institucional n.º 2 (AI-2) da
ditadura militar brasileira, que permitia que o presidente da República decretasse
recesso parlamentar.
- O Ato Institucional n.º 5 (AI-5)
é por vezes citado como um "golpe dentro do
golpe", o que também ocorreu com outros episódios.
Golpes de Estado
___Aconteceram ao longo da história em nosso país e são momentos que
evidenciam as tensões entre as instituições e a sociedade. Enquanto alguns
enxergam esses eventos como rupturas prejudiciais à ordem democrática, outros
os justificam como reações inevitáveis a crises políticas, econômicas ou
sociais que ameaçavam a unidade nacional ou a estabilidade institucional.
___É necessário compreender a história por diferentes perspectivas para
avaliar como essas rupturas impactaram nosso sistema político e quais lições
podem ser tiradas para evitar retrocessos democráticos futuros.
___A frase “direitos conquistados nunca foram
direitos dados, e os novos tempos pedem, de todos nós, vigilância, atitude
cidadã e muita esperança também”, citada por Lilia Schwarcz em seu livro “Sobre o
autoritarismo brasileiro” reforça a necessidade de valorizarmos a
democracia continuamente.
Texto Complemento
Golpes Concretizados
A noite
da agonia, em 1823: o primeiro golpe de Estado
___No primeiro golpe de Estado do Brasil, D. Pedro I alegou que as restrições ao poder imperial propostas
pela Assembleia Constituinte
poderiam ameaçar a unidade e soberania da jovem nação. Para ele, dissolver a
Assembleia e outorgar uma nova Constituição era uma maneira de fortalecer o
Estado e consolidar o controle necessário para governar o país.
Pouco depois de se tornar independente, o Brasil tratou de criar a sua
primeira Constituição. Para que fosse possível a elaboração da primeira carta
magna, foi eleita uma Assembleia
Constituinte, composta por integrantes que representavam uma pequena elite
brasileira.
___Desde o início do processo, o imperador D. Pedro I dava sinais que tudo deveria sair conforme sua própria
vontade e que poderia lançar mão de um golpe de Estado: na sua fala da abertura
dos trabalhos da Assembleia Constituinte,
proferiu que defenderia a Constituição “se fosse
digna do Brasil e de mim”.
___Para poder fazer parte desta Assembleia, só poderiam ser votados pessoas
que possuíam renda anual mínima estabelecida, ser proprietários de terras e uma
certa quantidade de mandioca plantada. Desta forma, esta Constituição foi
popularmente chamada de “Constituição da Mandioca”.
___Logo, o processo da criação da primeira Constituição começaria a
desagradar D. Pedro I: - uma das
propostas do documento seria limitar o poder do imperador, onde os
constituintes queriam que ele não tivesse o poder de dissolver a futura Câmara de Deputados (sendo obrigado a
fazer uma nova eleição, se fosse o caso).
___Outra proposta dos constituintes era que D. Pedro I não tivesse o poder de vetar ou negar a validade de
qualquer lei aprovada pelo Poder
Legislativo.
- Resultado: - um golpe de
Estado foi dado, pois o imperador dissolveu a Assembleia Constituinte com apoio dos militares e prendeu diversos
deputados. O episódio ficou conhecido como “Noite
da Agonia”.
___D. Pedro I cuidou ele
mesmo de elaborar um projeto de Constituição, que resultou na Constituição
outorgada em 25 de março de 1824, o que culminou
no nosso primeiro golpe de Estado.
Um jovem
de 14 anos no poder: o golpe da maioridade
___Para os liberais e outros apoiadores de D. Pedro II, antecipar a maioridade do imperador foi uma medida
necessária para conter revoltas e evitar a fragmentação do Brasil. Afirmavam
que somente a presença de um imperador jovem, mas legítimo, estabilizaria o
país.
___O segundo golpe de Estado que marcou a história nacional é ainda da
época da monarquia. De 1831 e 1840, o Brasil vivenciou um período denominado como
período regencial e foi nessa conjuntura que o golpe de Estado foi dado.
___D. Pedro I havia abdicado
do trono em favor de seu filho, Pedro de
Alcântara, em 1831, mas ele ainda tinha
cinco anos de idade (logo, não poderia assumir o trono). Assim, o país foi
governado por alguns regentes por quase uma década e este período foi marcado
por inúmeras revoltas que eclodiram no país naquele contexto.
___Com receio de uma fragmentação nacional devido às revoltas (algumas
delas de cunho separatista), começou a circular a ideia de que D. Pedro II, com 14 anos, deveria assumir o trono e “acalmar”
os ânimos da população. Porém, a Constituição vigente (aquela criada
pelo seu pai anos antes) permitia apenas que fosse possível assumir o governo
com 18 anos de idade. Um golpe de
Estado estava à caminho.
___Qual a solução para que isso fosse resolvido antes que fosse tarde
demais? - Os Liberais (um dos
partidos desta época) promoveram no Congresso a antecipação da maioridade do
imperador, por meio de um Ato Adicional,
permitindo deste modo que o adolescente Pedro
II assumisse o trono com apenas 14
anos. Se consolida, assim, o segundo golpe de Estado da história brasileira.
GOLPES
DE ESTADO: - 7 vezes que o
Brasil desrespeitou a Constituição
A
Proclamação da República: o primeiro golpe militar
___Os republicanos, apoiados pelos militares, justificaram a deposição
de D. Pedro II com a alegação de que
a monarquia estava desgastada e que era incompatível com as necessidades de um
Brasil moderno e republicano. Dessa forma, justificaram o golpe como uma
resposta à incapacidade da monarquia de acompanhar as mudanças econômicas e
sociais.
___Os Republicanos defendiam
que este modelo poderia trazer progresso, estimular o crescimento industrial e
fortalecer a representação política, especialmente diante de pressões de elites
regionais que se sentiam marginalizadas pela centralização imperial.
___Por outro lado, críticos à proclamação afirmavam que a Monarquia exercia um papel moderador
que mantinha o equilíbrio entre interesses regionais e evitava fragmentações,
especialmente em um momento em que a escravização recém-abolida deixava
profundas tensões sociais. Essa visão foi particularmente popular entre elites
rurais que temiam perder poder com a mudança abrupta do regime.
___D. Pedro II ainda estava
no poder em 1889 quando os militares, chefiados
pelo marechal Deodoro da Fonseca, derrubaram a monarquia e assim proclamaram a
República no Brasil, em 15 de novembro, sendo
este mais um golpe de Estado.
___A própria nomenclatura utilizada até hoje, chamada de “proclamação”, gera diferentes interpretações
sobre o evento. Para alguns, o termo reflete uma transição formal e consensual,
simbolizando um marco importante para o início da República no Brasil. Outros,
porém, questionam se essa transição foi de fato democrática, considerando o
papel ativo dos militares na mudança de regime.
Estado
de sítio em 1891: o Congresso é dissolvido pelo primeiro presidente do Brasil
___Um golpe de Estado que chama atenção em nossa história, aconteceu
pouco tempo depois da proclamação da República. Ao assumir o posto de
presidente provisório, Deodoro da
Fonseca de fato foi eleito indiretamente pelo Congresso em 1891, com 129 votos, muito próximo do outro
concorrente, Floriano Peixoto, que
angariou 97 votos.
___Deodoro viu nessa votação
uma grande ameaça à sua soberania e, segundo o historiador Boris Fausto, atraiu suspeitas ao substituir o ministério, que
vinha com ele desde a instauração do governo provisório em 1889, por um ministério sob o comando de um
tradicional político monárquico – o Barão
de Lucena. Ambos buscaram reforçar o poder executivo (lembrando um pouco o
antigo poder moderador da época do Império).
___Em 03 de novembro de 1891, Deodoro da Fonseca dá um novo golpe de
Estado: - fecha o Congresso e
declara Estado de Sítio, mas com a
promessa de que em breve faria novas eleições e ainda revisaria a Constituição.
___Todo esse processo não acabou bem para Fonseca, que, no mesmo mês, em 23 de
novembro, renunciou ao seu cargo, ficando em seu lugar o
vice-presidente, Floriano Peixoto.
A
Revolução de 1930 e a chegada de Getúlio Vargas ao poder
___Getúlio Vargas e seus
aliados alegaram que a eleição de 1930 fora
fraudulenta e que o governo oligárquico da República
Velha não atendia às necessidades do povo. Justificaram o golpe como um
movimento pela ‘renovação’ e democratização da política nacional.
___A chegada de Getúlio Vargas
ao poder, em 1930, também foi por intermédio de
um golpe de Estado. Chamada de “Revolução” pelos
revoltosos, encerrou a fase inicial da recente República no país e inaugurou um
novo momento: - a Era Vargas.
___A República Velha (assim
chamado os primeiros anos da nossa república) tinha como presidentes apenas
representantes das oligarquias cafeeiras, ora de São Paulo e ora de Minas
Gerais, e, naquele ano de 1930, ocorreu uma
eleição para a presidência.
___O então presidente Washington
Luís havia indicado o seu sucessor para concorrer ao cargo: - Júlio Prestes, sendo este o vitorioso
dessas eleições.
___O candidato da oposição foi justamente o gaúcho Getúlio Vargas, que, juntamente com a Aliança Liberal, não aceitou o resultado destas eleições. Assumindo
um caráter civil-militar, a chamada “Revolução de 1930”
tirou o presidente Washington Luís
do poder e elevou Getúlio Vargas à
chefe do Executivo.
___Mas este não seria o único golpe de Estado que Vargas daria ao longo dos anos em que esteve na
presidência.
___Embora o golpe de 1930 tenha marcado o
fim da República Velha, ele também
abriu caminho para políticas que modernizaram a economia brasileira, como o
incentivo à indústria.
___A Revolução de 1930 também refletiu o
esgotamento de um modelo político centralizado nas oligarquias cafeeiras,
apontando para a necessidade de maior representatividade política.
O Estado
Novo: Vargas dá mais um golpe de Estado
___O golpe de 1937 foi justificado pelo
medo de uma suposta revolta comunista, com base no “Plano
Cohen”, documento divulgado pelo governo de Vargas. Segundo o historiador Boris
Fausto, esse plano foi utilizado para incutir temor de que uma insurreição
comunista traria caos e violência ao país, convencendo muitos da necessidade de
um governo forte, que culminaria no Estado
Novo, através de ruptura democrática.
___Por outro lado, alguns argumentam que o regime buscava evitar a
radicalização política. Para setores conservadores, como analisa o professor Marco Antonio Villa, o contexto social
e econômico da época demandava um governo forte para estabilizar o país.
___Getúlio Vargas permaneceu
no poder por 15 anos consecutivos,
através de um segundo golpe de Estado orquestrado anos depois de ter assumido o
Governo Provisório em 1930.
___Além disso, apoiadores do golpe, como setores do Exército e parte das elites urbanas, argumentavam que a conjuntura
internacional exigia a centralização do poder. A ascensão do fascismo na
Europa, que buscava ‘disciplinar’ os regimes
políticos, e o crescimento da polarização entre movimentos comunistas e
conservadores, foram apontados como razões para evitar que o Brasil caísse no
que acreditavam que se tornaria um caos interno.
___A manutenção da ordem, em suas visões, justificava a suspensão
temporária de liberdades democráticas, e o regime do Estado Novo seria uma ponte para a modernização do país.
___Diante desse cenário alarmista, o Congresso aprovou às pressas o estado de guerra e a suspensão das
garantias constitucionais por 90 dias.
Tudo foi muito bem planejado e organizado até que, em novembro daquele ano, um
novo golpe de Estado foi dado e Getúlio
Vargas continua no cargo de presidente até 1945,
inaugurando o período chamado de Estado
Novo.
O golpe
civil-militar de 1964: o mais conhecido dos golpes de Estado
___Embora amplamente criticado pelo impacto na democracia, o golpe de 1964 foi apoiado por alguns setores que temiam uma
guinada ideológica do governo de João
Goulart, vendo-o como uma ameaça à segurança nacional, enquanto outros
setores alertavam para o risco de autoritarismo que a intervenção militar
representava.
___Eis que chegamos ao famigerado ano de 1964, quando os militares articularam um golpe de Estado contra o
então presidente João Goulart,
tirando-o da cadeira do Executivo e
assumindo o comando na nação. O que ninguém esperava é que este golpe duraria
até o ano de 1985.
___Após a renúncia de Jânio
Quadros em 1961, a ascensão
natural, mas não tanto, de seu vice, João Goulart,
à presidência gerou grande descontentamento em uma parcela significativa da
sociedade, especialmente devido às diversas medidas propostas por Jango nas necessárias “Reformas de Base”.
___Os apoiadores do golpe militar de 1964 justificavam
a deposição de Goulart como uma
necessidade para preservar a ordem e evitar uma suposta guinada comunista no
Brasil, temendo que o país seguisse os passos de Cuba.
___Enquanto Lilia Schwarcz
critica o golpe de 1964 como uma ruptura
violenta contra as liberdades democráticas, historiadores como Marco Antonio Villa apontam que parte
da sociedade apoiou a ação militar temendo um alinhamento do Brasil ao bloco
comunista, no contexto da Guerra Fria.
A interpretação desses eventos reflete as complexas divisões políticas do
período.
___No contexto da Guerra Fria,
os Estados Unidos apoiavam e financiavam o golpe, temendo a expansão do
comunismo na América Latina. Empresários, classe média e parte da imprensa
defendiam a intervenção militar como necessária para proteger a economia e
principalmente os interesse escusos das oligarquias, e os chamados “valores tradicionais”, que consideravam ameaçados
pelas reformas propostas por Goulart.
___Em 31 de março de 1964, as tropas do
general Olímpio Mourão Filho
mobilizaram-se de Minas Gerais contra o governo de João Goulart, derrubando-o e iniciando um longo período da nossa
história.
Discurso
Histórico
___A frase completa do discurso
de Ulysses Guimarães é: "Temos ódio e nojo à ditadura", dita em 05 de outubro de 1988, durante a promulgação da Constituição de 1988. O discurso é um
dos mais marcantes da história brasileira, onde ele rechaça a Ditadura Militar e exalta a democracia
recém-restaurada.
- Contexto: - A fala
ocorreu em uma sessão solene no Congresso
Nacional para promulgar a nova Constituição brasileira, após anos de Ditadura Militar.
- Mensagem: - A
frase simboliza o repúdio ao período autoritário e a celebração da liberdade e
da democracia.
- Frase Completa: - A frase mais completa é:
"Traidor
da Constituição é traidor da Pátria. Conhecemos o caminho maldito. Rasgar a
Constituição, trancar as portas do Parlamento, garrotear a liberdade e mandar
os patriotas para a cadeia, o exílio e o cemitério. Temos ódio à ditadura. Ódio
e nojo.".
- Legado: - A expressão se tornou um símbolo da luta pela Redemocratização e é frequentemente
lembrada em momentos de defesa da democracia no Brasil.
Ulysses Guimarães na Promulgação da
Constituição:
Discurso Completo
Câmara dos Deputados Departamento
de Taquigrafia, Revisão e Redação Escrevendo a História - Série Brasileira 1
Discurso proferido na sessão de 5 de outubro de 1988, publicado no DANC de 5 de
outubro de 1988, p. 14380-14382. O SR. PRESIDENTE (Ulysses Guimarães) – Exmo.
Sr. Presidente da República, José Sarney; Exmo. Sr. Presidente do Senado
Federal, Humberto Lucena; Exmo. Sr. Presidente do Supremo Tribunal Federal,
Ministro Rafael Mayer; Srs. membros da Mesa da Assembléia Nacional
Constituinte; eminente Relator Bernardo Cabral; (palmas) preclaros Chefes do
Poder Legislativo de nações amigas; insignes Embaixadores, saudados no decano
D. Carlo Furno; Exmos. Srs. Ministros de Estado; Exmos. Srs. Governadores de
Estado; Exmos. Srs. Presidentes de Assembléias Legislativas; dignos Líderes
partidários; autoridades civis, militares e religiosas, registrando o
comparecimento do Cardeal D. José Freire Falcão, Arcebispo de Brasília, e de D.
Luciano Mendes de Almeida, Presidente da CNBB; prestigiosos Srs. Presidentes de
confederações, Sras. e Srs. Constituintes; minhas senhoras e meus senhores:
Estatuto do Homem, da Liberdade,
da Democracia.
Dois de fevereiro de 1987: “Ecoam
nesta sala as reivindicações das ruas.
A Nação quer mudar, a Nação deve
mudar, a Nação vai mudar.” São palavras constantes do discurso de posse como
Presidente da Assembléia Nacional Constituinte. Hoje, 5 de outubro de 1988, no
que tange à Constituição, a Nação mudou. (Palmas.)
A Constituição mudou na sua
elaboração, mudou na definição dos poderes, mudou restaurando a Federação,
mudou quando quer mudar o homem em cidadão, e só é cidadão quem ganha justo e
suficiente salário, lê e escreve, mora, tem hospital e remédio, lazer quando
descansa. (Palmas.)
Num país de 30.401.000
analfabetos, afrontosos 25% da população, cabe advertir: a cidadania começa com
o alfabeto. Chegamos! Esperamos a Constituição como o vigia espera a aurora.
Bem-aventurados os que chegam. Não nos desencaminhamos na longa marcha, não nos
desmoralizamos capitulando ante pressões aliciadoras (palmas) e
comprometedoras, não desertamos, não caímos no caminho. Alguns a fatalidade
derrubou: Virgílio Távora, Alair Ferreira, Fábio Lucena, Antonio Farias e
Norberto Schwantes. (Palmas.)
Pronunciamos seus nomes queridos
com saudade e orgulho: Câmara dos Deputados Departamento de Taquigrafia,
Revisão e Redação Escrevendo a História - Série Brasileira 2 cumpriram com o
seu dever. A Nação nos mandou executar um serviço. Nós o fizemos com amor, aplicação
e sem medo. (Palmas.)
A Constituição certamente não é
perfeita. Ela própria o confessa, ao admitir a reforma. Quanto a ela,
discordar, sim. Divergir, sim. Descumprir, jamais. (Palmas.)
Afrontála, nunca. Traidor da
Constituição é traidor da Pátria. (Muito bem! Palmas.)
Conhecemos o caminho maldito:
rasgar a Constituição, trancar as portas do Parlamento, garrotear a liberdade,
mandar os patriotas para a cadeia, o exílio, o cemitério. (Muito bem! Palmas.)
A persistência da Constituição é a
sobrevivência da democracia. Quando, após tantos anos de lutas e sacrifícios,
promulgamos o estatuto do homem, da liberdade e da democracia, bradamos por
imposição de sua honra: temos ódio à ditadura. Ódio e nojo. (Muito bem! Palmas
prolongadas.)
Amaldiçoamos a tirania onde quer
que ela desgrace homens e nações, principalmente na América Latina. (Palmas.)
Assinalarei algumas marcas da
Constituição que passará a comandar esta grande Nação. A primeira é a coragem.
A coragem é a matéria-prima da civilização. Sem ela, o dever e as instituições
perecem. Sem a coragem, as demais virtudes sucumbem na hora do perigo. Sem ela,
não haveria a cruz, nem os evangelhos.
A Assembléia Nacional Constituinte
rompeu contra o establishment, investiu contra a inércia, desafiou tabus. Não
ouviu o refrão saudosista do velho do Restelo, no genial canto de Camões.
Suportou a ira e perigosa campanha mercenária dos que se atreveram na tentativa
de aviltar legisladores em guardas de suas burras abarrotadas com o ouro de
seus privilégios e especulações. (Muito bem! Palmas.)
Foi de audácia inovadora a
arquitetura da Constituinte, recusando anteprojeto forâneo ou de elaboração
interna. O enorme esforço é dimensionado pelas 61.020 emendas, além de 122
emendas populares, algumas com mais de 1 milhão de assinaturas, que foram
apresentadas, publicadas, distribuídas, relatadas e votadas, no longo trajeto
das subcomissões à redação final. A participação foi também pela presença, pois
diariamente cerca de 10 mil postulantes franquearam, livremente, as 11 entradas
do enorme complexo arquitetônico Câmara dos Deputados Departamento de
Taquigrafia, Revisão e Redação Escrevendo a História - Série Brasileira 3 do
Parlamento, na procura dos gabinetes, comissões, galeria e salões. Há,
portanto, representativo e oxigenado sopro de gente, de rua, de praça, de
favela, de fábrica, de trabalhadores, de cozinheiros, de menores carentes, de
índios, de posseiros, de empresários, de estudantes, de aposentados, de
servidores civis e militares, atestando a contemporaneidade e autenticidade
social do texto que ora passa a vigorar. Como o caramujo, guardará para sempre
o bramido das ondas de sofrimento, esperança e reivindicações de onde proveio.
(Palmas.)
A Constituição é
caracteristicamente o estatuto do homem. É sua marca de fábrica. O inimigo
mortal do homem é a miséria. O estado de direito, consectário da igualdade, não
pode conviver com estado de miséria. Mais miserável do que os miseráveis é a
sociedade que não acaba com a miséria. (Palmas.)
Tipograficamente é hierarquizada a
precedência e a preeminência do homem, colocando-o no umbral da Constituição e
catalogando-lhe o número não superado, só no art. 5 o, de 77 incisos e 104
dispositivos. Não lhe bastou, porém, defendê-lo contra os abusos originários do
Estado e de outras procedências. Introduziu o homem no Estado, fazendo-o credor
de direitos e serviços, cobráveis inclusive com o mandado de injunção. Tem
substância popular e cristã o título que a consagra: “a Constituição cidadã”.
(Palmas.)
Vivenciados e originários dos
Estados e Municípios, os Constituintes haveriam de ser fiéis à Federação.
Exemplarmente o foram. (Palmas.)
No Brasil, desde o Império, o
Estado ultraja a geografia. Espantoso despautério: o Estado contra o País,
quando o País é a geografia, a base física da Nação, portanto, do Estado. É
elementar: não existe Estado sem país, nem país sem geografia. Esta antinomia é
fator de nosso atraso e de muitos de nossos problemas, pois somos um
arquipélago social, econômico, ambiental e de costumes, não uma ilha. A civilização
e a grandeza do Brasil percorreram rotas centrífugas e não centrípetas. Os
bandeirantes não ficaram arranhando o litoral como caranguejos, na imagem
pitoresca mas exata de Frei Vicente do Salvador. Cavalgaram os rios e marcharam
para o oeste e para a História, na conquista de um continente. Foi também
indômita vocação federativa que inspirou o gênio do Presidente Câmara dos
Deputados Juscelino Kubitschek, (palmas) que plantou Brasília longe do mar, no
coração do sertão, como a capital da interiorização e da integração. A
Federação é a unidade na desigualdade, é a coesão pela autonomia das
províncias. Comprimidas pelo centralismo, há o perigo de serem empurradas para
a secessão. É a irmandade entre as regiões. Para que não se rompa o elo, as mais
prósperas devem colaborar com as menos desenvolvidas. Enquanto houver Norte e
Nordeste fracos, não haverá na União Estado forte, pois fraco é o Brasil.
(Palmas.)
As necessidades básicas do homem
estão nos Estados e nos Municípios. Neles deve estar o dinheiro para
atendê-las. A Federação é a governabilidade. A governabilidade da Nação passa
pela governabilidade dos Estados e dos Municípios. (Palmas.)
O desgoverno, filho da penúria de
recursos, acende a ira popular, que invade primeiro os paços municipais, arranca
as grades dos palácios e acabará chegando à rampa do Palácio do Planalto.
(Palmas.)
A Constituição reabilitou a
Federação ao alocar recursos ponderáveis às unidades regionais e locais, bem
como ao arbitrar competência tributária para lastrear-lhes a independência
financeira. Democracia é a vontade da lei, que é plural e igual para todos, e
não a do príncipe, que é unipessoal e desigual para os favorecimentos e os
privilégios. Se a democracia é o governo da lei, não só ao elaborá-la, mas
também para cumpri-la, são governo o Executivo e o Legislativo. O Legislativo
brasileiro investiu-se das competências dos Parlamentos contemporâneos. É
axiomático que muitos têm maior probabilidade de acertar do que um só. O
governo associativo e gregário é mais apto do que o solitário. Eis outro
imperativo de governabilidade: a co-participação e a co-responsabilidade. Cabe
a indagação: instituiu-se no Brasil o tricameralismo ou fortaleceu-se o
unicameralismo, com as numerosas e fundamentais atribuições cometidas ao Congresso
Nacional? A resposta virá pela boca do tempo. Faço votos para que essa regência
trina prove bem. Nós, os legisladores, ampliamos nossos deveres. Teremos de
honrá-los. A Nação repudia a preguiça, a negligência, a inépcia. (Palmas.)
Soma-se à nossa atividade
ordinária, bastante dilatada, a edição de 56 leis complementares e 314
ordinárias. Não Câmara dos Deputados Departamento de Taquigrafia, Revisão e
Redação Escrevendo a História - Série Brasileira 5 esqueçamos que, na ausência
de lei complementar, os cidadãos poderão ter o provimento suplementar pelo
mandado de injunção. A confiabilidade do Congresso Nacional permite que repita,
pois tem pertinência, o slogan: “Vamos votar, vamos votar”, (palmas) que
integra o folclore de nossa prática constituinte, reproduzido até em horas de
diversão e em programas humorísticos. Tem significado de diagnóstico a
Constituição ter alargado o exercício da democracia, em participativa além de
representativa. É o clarim da soberania popular e direta, tocando no umbral da
Constituição, para ordenar o avanço no campo das necessidades sociais. O povo
passou a ter a iniciativa de leis. Mais do que isso, o povo é o
superlegislador, habilitado a rejeitar, pelo referendo, projetos aprovados pelo
Parlamento. A vida pública brasileira será também fiscalizada pelos cidadãos.
Do Presidente da República ao Prefeito, do Senador ao Vereador. A moral é o
cerne da Pátria. A corrupção é o cupim da República. (Palmas.)
República suja pela corrupção
impune tomba nas mãos de demagogos, que, a pretexto de salvá-la, a tiranizam.
Não roubar, não deixar roubar, pôr na cadeia quem roube, eis o primeiro
mandamento da moral pública. (Muito bem! Palmas.)
Pela Constituição, os cidadãos são
poderosos e vigilantes agentes da fiscalização, através do mandado de segurança
coletivo; do direito de receber informações dos órgãos públicos, da
prerrogativa de petição aos poderes públicos, em defesa de direitos contra
ilegalidade ou abuso de poder; da obtenção de certidões para defesa de
direitos; da obtenção de certidões para defesa de direitos; da ação popular,
que pode ser proposta por qualquer cidadão, para anular ato lesivo ao
patrimônio público, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico, isento de
custas judiciais; da fiscalização das contas dos Municípios por parte do
contribuinte; podem peticionar, reclamar, representar ou apresentar queixas
junto às comissões das Casas do Congresso Nacional; qualquer cidadão, partido
político, associação ou sindicato são partes legítimas e poderão denunciar
irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da União, do
Estado ou do Município. A gratuidade facilita a efetividade dessa fiscalização.
A exposição panorâmica da lei fundamental que hoje passa a reger a Nação
permite conceituá-la, sinoticamente, como a Constituição coragem, a
Constituição cidadã, a Constituição federativa, a Constituição representativa e
participativa, a Constituição do Câmara dos Deputados Departamento de
Taquigrafia, Revisão e Redação Escrevendo a História - Série Brasileira 6 Governo
síntese Executivo-Legislativo, a Constituição fiscalizadora. Não é a
Constituição perfeita. Se fosse perfeita, seria irreformável. Ela própria, com
humildade e realismo, admite ser emendada, até por maioria mais acessível,
dentro de 5 anos. Não é a Constituição perfeita, mas será útil, pioneira,
desbravadora. Será luz, ainda que de lamparina, na noite dos desgraçados. É
caminhando que se abrem os caminhos. Ela vai caminhar e abri-los. Será redentor
o caminho que penetrar nos bolsões sujos, escuros e ignorados da miséria.
Recorde-se, alvissareiramente, que o Brasil é o quinto país a implantar o
instituto moderno da seguridade, com a integração de ações relativas à saúde, à
previdência e à assistência social, assim como a universalidade dos benefícios
para os que contribuam ou não, além de beneficiar 11 milhões de aposentados,
espoliados em seus proventos. (Palmas.)
É consagrador o testemunho da ONU
de que nenhuma outra Carta no mundo tenha dedicado mais espaço ao meio ambiente
do que a que vamos promulgar. Sr. Presidente José Sarney: V.Exa. cumpriu
exemplarmente o compromisso do saudoso, do grande Tancredo Neves, de V.Exa. e
da Aliança Democrática ao convocar a Assembléia Nacional Constituinte. A Emenda
Constitucional n o 26 teve origem em mensagem do Governo, de V.Exa., vinculando
V.Exa. à efemeridade que hoje a Nação celebra. Nossa homenagem ao Presidente do
Senado, Humberto Lucena, atuante na Constituinte pelo seu trabalho, seu talento
e pela colaboração fraterna da Casa que representa. Sr. Ministro Rafael Mayer,
Presidente do Supremo Tribunal Federal, (palmas) saúdo o Poder Judiciário na
pessoa austera e modelar de V.Exa. O imperativo de “Muda Brasil”, desafio de
nossa geração, não se processará sem o conseqüente “Muda Justiça”, (palmas) que
se instrumentalizou na Carta Magna com a valiosa contribuição do poder chefiado
por V.Exa. Cumprimento o eminente Ministro do Supremo Tribunal Federal, Moreira
Alves, que, em histórica sessão, instalou em 1 o de fevereiro de 1987 a
Assembléia Nacional Constituinte. Registro a homogeneidade e o desempenho
admirável e solidário de seus altos deveres, por parte dos dignos membros da
Mesa Diretora, condôminos imprescindíveis de minha Presidência. Câmara dos
Deputados Departamento de Taquigrafia, Revisão e Redação Escrevendo a História
- Série Brasileira 7 O Relator Bernardo Cabral foi capaz, (palmas) flexível
para o entendimento, mas irremovível nas posições de defesa dos interesses do
País. O louvor da Nação aplaudirá sua vida pública. Os Relatores Adjuntos, José
Fogaça, Konder Reis e Adolfo Oliveira, (palmas) prestaram colaboração
unanimemente enaltecida. Nossa palavra de sincero e profundo louvor ao mestre
da língua portuguesa Prof. Celso Cunha, por sua colaboração para a escorreita
redação do texto. O Brasil agradece pela minha voz a honrosa presença dos
prestigiosos dignitários do Poder Legislativo do continente americano, de
Portugal, da Espanha, de Angola, Moçambique, Guiné Bissau, Príncipe e Cabo
Verde. (Palmas.) As nossas saudações. (Palmas prolongadas.)
Os Srs. Governadores de Estado e
Presidentes das Assembléias Legislativas dão realce singular a esta solenidade
histórica. Os Líderes foram o vestibular da Constituinte. Suas reuniões pela
manhã e pela madrugada, com autores de emendas e interessados, disciplinaram,
agilizaram e qualificaram as decisões do Plenário. Os Anais guardarão seus
nomes e sua benemérita faina. (Palmas.)
Cumprimento as autoridades civis,
eclesiásticas e militares, integrados estes com seus chefes, na missão, que
cumprem com decisão, de prestigiar a estabilidade democrática. Nossas
congratulações à imprensa, ao rádio e à televisão. (Palmas.)
Viram tudo, ouviram o que
quiseram, tiveram acesso desimpedido às dependências e documentos da
Constituinte. Nosso reconhecimento, tanto pela divulgação como pelas críticas,
que documentam a absoluta liberdade de imprensa neste País. Testemunho a
coadjuvação diuturna e esclarecida dos funcionários e assessores, (muito bem!
palmas) abraçando-os nas pessoas de seus excepcionais chefes, Paulo Affonso
Martins de Oliveira e Adelmar Sabino. (Muito bem! Palmas.)
Agora conversemos pela última vez,
companheiras e companheiros constituintes. A atuação das mulheres nesta Casa
foi de tal teor (palmas prolongadas), que, pela edificante força do exemplo,
aumentará a representação feminina nas futuras eleições. Agradeço a colaboração
dos funcionários do Senado – da Gráfica e do Prodasen. Agradeço aos
Constituintes a eleição como seu Presidente e agradeço o convívio alegre,
civilizado e motivador. Quanto a mim, cumpriu-se o magistério do filósofo: o
Câmara dos Deputados Departamento de Taquigrafia, Revisão e Redação Escrevendo
a História - Série Brasileira 8 segredo da felicidade é fazer do seu dever o
seu prazer. (Palmas.)
Todos os dias, meus amigos
constituintes, quando divisava, na chegada ao Congresso, a concha côncava da
Câmara rogando as bênçãos do céu, e a convexa do Senado ouvindo as súplicas da
terra, (palmas) a alegria inundava meu coração. Ver o Congresso era como ver a
aurora, o mar, o canto do rio, ouvir os passarinhos. Sentei-me
ininterruptamente 9 mil horas nesta cadeira, em 320 sessões, gerando até
interpretações divertidas pela não-saída para lugares biologicamente exigíveis.
(Risos. Palmas.)
Somadas as das sessões, foram 17
horas diárias de labor, também no gabinete e na residência, incluídos sábados,
domingos e feriados. Político, sou caçador de nuvens. Já fui caçado por
tempestades. (Palmas.)
Uma delas, benfazeja, me colocou
no topo desta montanha de sonho e de glória. Tive mais do que pedi, cheguei
mais longe do que mereço. (Não apoiado.) Que o bem que os Constituintes me
fizeram frutifique em paz, êxito e alegria para cada um deles. Adeus, meus
irmãos. É despedida definitiva, sem o desejo de retorno. Nosso desejo é o da
Nação: que este Plenário não abrigue outra Assembléia Nacional Constituinte.
(Palmas prolongadas.)
Porque, antes da Constituinte, a
ditadura já teria trancado as portas desta Casa. Autoridades, Constituintes,
senhoras e senhores, A sociedade sempre acaba vencendo, mesmo ante a inércia ou
antagonismo do Estado. O Estado era Tordesilhas. Rebelada, a sociedade empurrou
as fronteiras do Brasil, criando uma das maiores geografias do Universo. O
Estado, encarnado na metrópole, resignara-se ante a invasão holandesa no
Nordeste. A sociedade restaurou nossa integridade territorial com a insurreição
nativa de Tabocas e Guararapes, (palmas) sob a liderança de André Vidal de
Negreiros, Felipe Camarão e João Fernandes Vieira, que cunhou a frase da
preeminência da sociedade sobre o Estado: “Desobedecer a El-Rei, para servir a
El-Rei”. (Muito bem!)
O Estado capitulou na entrega do
Acre, a sociedade retomou-o com as foices, os machados e os punhos de Plácido
de Castro e dos seus seringueiros. (Palmas.)
O Estado autoritário prendeu e
exilou. A sociedade, com Teotônio Vilela, pela anistia, libertou e repatriou.
(Palmas.)
A sociedade foi Rubens Paiva, não
os facínoras que o mataram. (Muito bem! Palmas prolongadas.)
Foi a sociedade, mobilizada nos
colossais comícios das Diretas-já, que, pela transição e pela mudança, derrotou
o Estado usurpador. Termino com as palavras com que comecei esta fala: a Nação
quer mudar. A Nação deve mudar. A Nação vai mudar. A Constituição pretende ser
a voz, a letra, a vontade política da sociedade rumo à mudança. Que a
promulgação seja nosso grito: – Mudar para vencer! Muda, Brasil! (Muito bem!
Muito bem! Palmas prolongadas.)
Câmara dos Deputados, Setor de Taquigrafia
Concluímos
___Golpes de Estado, aconteceram ao longo da história em nosso país “pensados e concretizados” e são momentos que
evidenciam as tensões entre as instituições e a sociedade. Enquanto alguns
enxergam esses eventos como rupturas prejudiciais à ordem democrática, outros
os justificam como reações inevitáveis a crises políticas, econômicas ou
sociais que ameaçavam a unidade nacional ou a estabilidade institucional. É
necessário compreender a história por diferentes perspectivas para avaliar como
essas rupturas impactaram nosso sistema político e quais lições podem ser
tiradas para evitar retrocessos democráticos presentes e futuros.
___A frase: “direitos conquistados nunca foram
direitos dados, e os novos tempos pedem, de todos nós, vigilância, atitude
cidadã e muita esperança também”, citada pela historiadora Lilia Schwarcz em seu livro “Sobre o autoritarismo brasileiro” reforça a
necessidade de valorizarmos a Democracia
continuamente.
GOLPE ARTICULADOR(ES), GOLPISTA(S) OU
BENEFICIADO(S) PRINCIPAL GOLPEADO DATA OBSERVAÇÕES
Noite
da agonia Imperador Pedro I Assembleia
Constituinte 12 de novembro de
1823 Exército invade a então sede do
Congresso Constituinte. Autogolpe.
Declaração
da Maioridade Imperador Pedro II Araújo
Lima 23 de julho de 1840 Fim do período regencial.
Autogolpe.
Proclamação
da República Deodoro da Fonseca Imperador
Pedro II 15 de novembro de 1889 Fim da monarquia no Brasil.
Golpe
de Três de Novembro Deodoro da Fonseca Poder Legislativo 3
de novembro de 1891 Fechamento do
Congresso e declaração de Estado de Sítio. Autogolpe.
Revolução
de 1930 Getúlio Vargas e Junta Militar de 1930 Washington Luís (imediato);
Júlio Prestes (mediato)
24
de outubro de 1930 Impediu a posse de Julio Prestes, que
ocorreria em 15 de novembro do mesmo ano. Fechamento de Congresso. Fim da
Primeira República.
Golpe
do Estado Novo Getúlio Vargas Poder
Legislativo 10 de novembro de 1937 Fechamento de Congresso. Autogolpe. Fim
da Segunda República.
Deposição
de Vargas Membros das Forças Armadas do Brasil e ministros do
Estado Novo, como Goes Monteiro e Dutra Getúlio
Vargas 29 de outubro de
1945 Golpe branco. Forçaram a
assinatura de renúncia. Fim da Era Vargas e Terceira República (embora o
Governo José Linhares seja citado por vezes como parte desse período).
Movimento
de 11 de Novembro Henrique Teixeira Lott Carlos Luz 11 de novembro de 1955 Golpe
preventivo em prol da posse de Juscelino Kubitschek. Sua extensão se deu nos
impeachments de Carlos Luz e Café Filho.
Golpe de 1964 Castelo Branco, Comando Supremo da
Revolução e Forças Armadas do Brasil João
Goulart 31 de março de 1964 Presidência declarada vaga pelo
presidente do Congresso, Auro de Moura Andrade, em 2 de abril, após movimentações
militares, intensificadas entre 31 de março e 1º de abril. Fim da Quarta
República.
"Resumo sobre quantos golpes de Estado que houve no Brasil
desde a Independência
O Brasil teve, pelo menos, nove golpes de Estado desde a
Independência.
Referências
AGÊNCIA BRASIL Líderes mundiais condenam tentativa de golpe em Brasília.
08 de janeiro de 2023.
AGÊNCIA CÂMARA NOTÍCIAS (27 de setembro de 2018). Parlamento brasileiro
foi fechado ou dissolvido 18 vezes.
ALVES, Francisco das Neves (2013). O golpe de estado de novembro de 1891
no Brasil sob a óptica da imprensa portuguesa. História (Rio Grande) (em
inglês) (2): 9–38. ISSN 2238-5541. AVENTURAS
NA HISTÓRIA. 9 vezes que o Brasil sofreu golpe de Estado.
BEZERRA, Juliana, Professora
de História, Texto Toda a Matéria – Revolução de 1930.
BUENO, Eduardo. 100 anos de um golpe frustrado. GZH.
CHAGAS, Carlos (2015). A ditadura Militar e os golpes dentro do golpe –
1964-1969. [S.l.]: RECORD
FAUSTO, Boris. História do Brasil.13 ed., 2.reimpr. São Paulo: Editora
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FGV. Proclamação da República.
LEITE, Gisele. Nove golpes da história do Brasil: nada se cria, tudo se
copia. Jornal Jurid. MENDONÇA, Daniel de (6 de outubro de 2009). O golpe
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Sociedade (14): 409–446. ISSN 2175-7984. doi: 10.5007/2175-7984.2009v8n14p409.
Consultado em 15 de junho de 2021
MENDONÇA, Ricardo. Crítica: Livro de Carlos Chagas narra traições na
cúpula do regime militar - 15/02/2014. m.folha.uol.com.br.
POLITIZE. A constituição de 1824,
POLITIZE. Era Vargas (1930-1945)
PORTAL AMAZÔNIA Em tentativa de golpe, Manaus foi bombardeada por
militares em 1910. RÁDIO SENADO. Saiba como foi a primeira Assembleia
Constituinte brasileira.
Revista ÉPOCA. 13 questões sobre a ditadura no Brasil
SCHWARCZ, Lilia M.; STARLING, Heloísa M. Brasil: uma biografia. São
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SCHWARCZ, Lilia Moritz. Sobre o autoritarismo brasileiro. São Paulo:
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SENADO FEDERAL Morte de Getúlio, em 1954, adiou o golpe em 10 anos', diz
historiador.
SILVA, Kalina Vanderlei; SILVA, Maciel Henrique. Dicionário de conceitos
históricos. 2.ed., 2ª reimpressão. – São Paulo: Contexto, 2009.
TOLEDO, Caio Navarro de. 1964: O golpe contra as reformas e a
democracia. In: Revista Brasileira de História. São Paulo, v. 24, nº 47,
p.13-28 – 2004.
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